População de Barra do Riacho continua sem retorno sobre pedido de manutenção de posto do Banestes

Último dia de funcionamento do poto será hoje (12). Banestes alega que posto não é rentável e mais de trinta mil pessoas ficarão sem atendimento bancário.

Manifestação em frente ao ponto cobrou permanência da unidade

Moradores de Barra do Riacho, em Aracruz, continuam sem resposta sobre pedido de manutenção do posto bancário do Banestes na comunidade. Hoje (12) é o último dia de funcionamento do posto, única unidade bancária para o atendimento de Barra do Riacho e distritos do entorno, que juntos somam população de aproximadamente de 30 mil pessoas.

Na tarde de ontem, vereadores, lideranças comunitárias e representantes do Sindicabancários/ES se reuniram com o prefeito da cidade, Jones Cavaglieri (SD), mas não foi apresentada posição definitiva. O Prefeito entrou em contato com o vice-governador do Estado, César Colnago, que garantiu que a reivindicação da comunidade será levada até o governador Paulo Hartung.

Manifestação

Na última quarta-feira, 12, os moradores de Barra do Riacho fizeram um ato em frente ao posto bancário e uma reunião para cobrar das autoridades públicas a permanência do posto. A reunião foi articulada pelo movimento comunitário e vereadores e teve apoio do Sindicato.

Dois representantes do Banestes compareceram: o Superintendente Regional Noroeste João Carlos Bussular e do Gerente de Rede Miguel Guidetti, da GEATE. Eles ouviram os moradores e afirmaram que a pauta seria levada às instâncias de direção do Banestes, sem outras garantias. O argumento para fechamento da unidade seriam os resultados negativos.

Os moradores questionaram o banco e cobraram das autoridades a contrapartida as empresas instaladas na região, tal como Fibria, Tecvix, Petrobras (Terminal Aquaviário de Barra do Riacho), Estaleiro Jurong. A atuação exploratória dos empreendimentos foi uma das críticas apresentadas com revolta pela dona Lila, professora da Rede Municipal de Aracruz. “A comunidade de Barra do Riacho é uma comunidade empresarial, as empresas estão aqui dentro, é lamentável saber que esses empresários não favorecem o banco do Estado. Será que nós, enquanto povo, não merecemos respeito? Nós precisamos ter um banco aqui. A passagem custa R$ 5,50,  muitos da nossa comunidade já são idosos, não têm um carro, e vamos ter que ir pra Aracruz pegar nosso dinheiro?”, desabafou.

Dona Lila fala com autoridade olhando o prefeito e representantes do Banestes

A crítica é fortalecida pela vereadora do município, Mônica Cordeiro. “Eu fico triste com as empresas que vem pra cá e não tem as suas contas dentro do local, usufruem do local, causam todo o impacto na comunidade, e não fica rentabilidade para cá”.

O prefeito de Aracruz teve passagem rápida na reunião, mas se propôs a fazer uma mediação com as empresas locais a fim de que elas possam transferir os seus negócios para o Banestes e assim fortalecer o posto local.

Jones Cavaglieri, prefeito de Aracruz

O coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, rebateu a alegação de prejuízo destacando o lucro anual no Banestes e afirmou que o papel do banco público é muito mais amplo do que dar lucro. “Eu não sou defensor do prejuízo, mas o Banestes deu mais de R$ 160 milhões de lucro no ano passado, deu retorno para o governo do Estado. Não há justificativa para fechar essa agência. O governo do Estado concede em torno de um bilhão de reais em isenção fiscal para as grandes empresas. Por que não pode fazer investimento numa região mantendo o banco? O Banestes precisa ser entendido com banco público, como investimento na população, a gente não pode discutir o lucro pelo lucro e falar ‘dane-se o povo’. Esse banco é importante para essa região, para o desenvolvimento dela e não vamos medir esforços para manter essa unidade”.

População terá prejuízos

O posto de Barra do Riacho é a única unidade bancária a atender os moradores da região, incluindo os distritos de Vila do Riacho, Barra do Sahy e Cachoeirinha. A agência do Banestes mais próxima fica no centro de Aracruz, a 26 km de Barra do Riacho, e a 33 km de Vila do Riacho. A necessidade de deslocamento, o custo para locomoção e a segurança estão entre as principais preocupações dos moradores.

“Aqui é o único banco que a gente tem. A lotérica foi fechada. Ter que se locomover até Aracruz fica difícil, são 11 reais pra ir e voltar. E se tem um banco aqui, porque a gente e não pode usar esse?”, diz Luana Maria da Silva, que é moradora da Barra do Riacho há 12 anos e cliente do Banestes há cinco.

Luana falou com tristeza sobre o fechamento do banco

As 50 famílias que vivem no assentamento Nova Esperança, em Vila do Riacho, estão entre as que serão prejudicadas com o fechamento do posto.  É mais uma medida desse governo para não atender as demandas sociais. Fechar essa agência vai atrapalhar os moradores da Barra do Riacho, os pescadores, a população da Vila do Riacho, os agricultores, os assentamentos, vai atingir mais de 30 mil pessoas dessa região”, disse Rodrigo Gonçalves, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Nós temos uma comunidade pesqueira que é uma comunidade humilde, a maioria da nossa comunidade é assalariada, usa o comércio local. Você imagina uma pessoa que ganha um salário mínimo ter que pagar uma passagem daqui até Aracruz,  ida e volta, pra pagar as suas contas e fazer as suas transações financeiras? Como um particular, que tem o Banesfácil, vai manter o Banesfácil pra atender sozinho a população de todas as comunidades, sem segurança adequada?” complementa Mônica.

 

Fotos Sérgio Cardoso

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