Possível governo Temer ameaça Caixa 100% Pública

Temer anunciou que pretende privatizar as áreas de seguro, loterias e cartões. Posteriormente, fará oferta pública de ações. Seu possível governo prevê, ainda, um “pente fino” na Caixa, especialmente na questão dos subsídios.

Com a aprovação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, um possível governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB) ganha cada vez mais força e formato. Além de já ter escolhidos boa parte dos ministros, Temer também já definiu o futuro presidente da Caixa e a abertura de capital do maior banco público da América Latina como marca do seu governo.

O início da privatização da Caixa já havia sido cogitado pelo governo Dilma no final de 2014, mas com a mobilização dos trabalhadores a abertura de capital foi descartada. Agora, prestes a assumir a presidência Temer coloca como uma das prioridades a execução dessa proposta. O nome cotado para assumir o cargo de Mirian Belchior foi sugerido pelo PP e é o de Gilberto Occhi, empregado de carreira do banco e que terá como missão preparar a Caixa para a privatização.

De acordo com matéria publicada no jornal Estadão,nessa segunda-feira, 09, a Caixa precisa passar por uma espécie de saneamento operacional, com a privatização das áreas de seguro, loterias e cartões, para que seja realizada a oferta pública de ações. Ainda de acordo com o jornal, o grupo de Temer já declarou estar disposto a fazer um “pente fino” na Caixa, especialmente na questão dos subsídios.

Diante dessa ameaça e com o início da Campanha Salarial 2016, a defesa da Caixa 100% pública torna-se uma das pautas mais importantes da categoria bancária. Mas essa não é uma luta apenas dos bancários, mas de toda sociedade brasileira. Com 155 anos de história, a Caixa é responsável pela execução e importantes políticas públicas nas áreas de saneamento, infraestrutura, habitação, assistência social e outras.

“Nossa mobilização deverá ser ainda mais intensa para barrar esse processo da venda da Caixa, que é patrimônio dos brasileiros. Além de colocar em risco o emprego de 97 mil bancários e bancárias, a abertura de capital da Caixa representa entregar uma instituição altamente lucrativa para o setor privado. Essa é proposta do PMDB para o Brasil: vender nossas riquezas. Precisamos da união dos trabalhadores e da sociedade para defender a Caixa 100% pública dessa ofensiva do governo Temer”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Hoje, as ações de mobilização em defesa da Caixa são organizadas pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, um fórum mais ampliado que conta com a participação do Sindibancários/ES, Intersindical e inúmeras outras entidades representativas dos trabalhadores e que tem envolvido a sociedade nos debates.

Com informações do jornal Estadão e Fenae

Foto: Romero Cunha/Fotos Públicas

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