Presidente da Caixa confirma início da privatização do banco

Em reunião com representantes dos empregados, o presidente da Caixa Pedro Guimarães confirmou a abertura de capital das áreas mais rentáveis do banco

Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores (Contraf) se reuniram na terça-feira, 26, com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães. A reunião foi marcada pelo anúncio de retrocessos, como fechamento de agências, novo programa de desligamento de empregados e a confirmação da venda das áreas mais rentáveis do banco. Os vice-presidentes de Gestão de Pessoas, Roney de Oliveira Granemann, e de Clientes, Negócios e Transformação Digital, Válter Gonçalves Nunes também participaram da reunião.

O desmonte da Caixa é uma das prioridades do governo Bolsonaro. O presidente do banco, Pedro Guimarães, reafirmou que segue decisão do governo de abrir o capital da Caixa e que serão oferecidas para a iniciativa privada as áreas de cartões, seguros e loterias. “Foi um ato importante o presidente da Caixa receber os representantes dos empregados, mas não houve avanço nenhum neste encontro. Ao contrário, Guimarães confirmou qual é o objetivo de Bolsonaro: enfraquecer o maior banco público do país, que é a Caixa. Mas vamos resistir e lutaremos pela manutenção da Caixa 100% pública”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

O presidente também anunciou a contratação de mais empregados, passando dos atuais 84 mil para 87 mil. No entanto, Guimarães também anunciou um novo Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE), com os mesmos critérios anteriores. O anúncio de mais contratações não atende, portanto, a demanda por mais empregados.

“A Caixa passa por uma forte escassez de bancários, com agências lotadas e trabalhadores adoecidos por excesso de trabalho, assédio moral e cobrança por metas. A contratação deveria ser suficiente para garantir um bom atendimento à população e para cessar o adoecimento dos empregados. A Caixa já teve 100 mil empregados”, frisa a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

O desmonte do banco também passará pelo fechamento de agências. Guimarães anunciou que haverá encerramento de unidades e abertura de outras, além da ampliação das lotéricas, com abertura de 7 mil novas. A diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges, alerta que a medida pode prejudicar ainda mais o atendimento à população mais pobre.

“Precisamos saber quais os critérios par o fechamento e abertura de agências. Vão fechar agências em localidades mais distantes, mais carentes e abrir em locais que têm rede bancária forte? Agências serão substituídas por lotéricas, negando segurança à população e terceirizando descaradamente o serviço bancário? Queremos discutir com a Caixa quais critérios serão utilizados para essa reestruturação e não vamos aceitar esse desmonte da Caixa”, pondera Lizandre.

PLR

Os representantes dos empregados cobraram a divulgação do balanço de 2018. O banco informou que a divulgação do resultado deve ocorrer nesta sexta-feira, 29, e o pagamento da PLR será até o dia 31 de março.

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