Presidente do Bradesco é indiciado por corrupção ativa

Presidente foi indiciado na Operação Zelotes; para os bancários capixabas, fato expõe a alta promiscuidade na relação entre o sistema financeiro e o governo brasileiro.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, foi indiciado em um inquérito na Operação Zelotes pelos crimes de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A acusação é de que o Bradesco contratou o grupo, formado por advogados, que pagava propina em troca de decisões favoráveis no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), da Receita Federal, onde são julgadas as multas da Receita a empresas e contribuintes.

Trabuco chegou a ser cotado para ocupar o cargo de ministro da Fazenda no segundo mandato do Governo Dilma (PT). A acusação de envolvimento do presidente do quarto maior banco do Brasil em um dos maiores esquemas de corrupção do país demonstra a peculiar promiscuidade na relação entre governos e bancos.

“Isso é apenas a ponta de um iceberg. Temos denunciado essa relação promíscua do setor financeiro com o governo há anos. A corrupção é fruto do setor privado que elege seus representantes com muito dinheiro e cobra a conta em seguida, ela não é algo que nasce em um ninho dentro do parlamento ou do executivo. O Bradesco é um dos maiores exemplos dessa promiscuidade e, nesse momento de disputa entre setores da elite econômica brasileira acentuada pelo golpe, isso fica bem claro”, avalia Fabrício Coelho, diretor do Sindicato.

Entenda o caso

 O Carf é responsável por julgar também os recursos contra as multas. Conversas telefônicas gravadas apontam negociações em andamento para corromper conselheiros da Carf que julgariam o processo do banco. O da Polícia Federal de 2015 também aponta a ligação de ex-conselheiros do Carf e de pessoas ligadas a empresas de advocacia em tentativas de manipulação de decisões para favorecer o Bradesco.

Apesar do Bradesco negar o envolvimento da instituição e de Trabuco com esse grupo, a Polícia Federal também afirma que foi realizada uma reunião, no dia nove de outubro de 2014, na presidência do Bradesco, em São Paulo, com a participação de Trabuco, para discutir a contratação do grupo responsável pelo pagamento de propina aos conselheiros do Carf. Os policiais rastrearam o encontro a partir da localização dos celulares dos envolvidos.

Segundo relatório da Polícia Federal de janeiro de 2015, o Bradesco aceitou entrar no esquema de tentativa de corrupção do Carf, oferecida pela organização criminosa, após perder um julgamento e ser punido a pagar R$ 3 bilhões em um processo.

O inquérito foi enviado para análise do Ministério Público Federal no Distrito Federal. A Procuradoria da República no Distrito Federal confirmou que recebeu o relatório e que, a partir de agora, vai analisar os elementos apontados no documento para decidir se apresentará denúncia à Justiça Federal contra os indiciados.

Com informações do G1.

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