Caixa vive ameaça de sucateamento com novas medidas anunciadas pelo Governo Federal

Entre as medidas estão novo plano de demissão voluntária e fechamento de agências

A imprensa divulgou nesta quarta-feira, 04, que a Caixa realizará um plano de demissão voluntária (PDV) por meio do qual pretende desligar 10 mil funcionários e funcionárias com a desculpa de que, dessa forma, irá economizar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. Prestes a fazer 156 anos no dia 12 de janeiro, a instituição financeira, que não comunicou sobre o PDV aos bancários e bancárias, enviou um comunicado interno para os trabalhadores e trabalhadoras estimulando-os a participar de uma competição por meio da qual terão que escolher quatro ingredientes do bolo de aniversário da Caixa e enviar para o hotsite para concorrer à realização de uma festa na agência.

“Nesse contexto, o que temos a comemorar? Nada! Os trabalhadores foram surpreendidos pela imprensa com a notícia de um PDV que irá desligar cerca de 10 mil funcionários, sendo que esse número pode chegar a 20 mil. Ao mesmo tempo a Caixa manda uma circular interna convidando os bancários a participar de uma competição para ganhar uma festa na agência. Vamos comemorar o que? O desmonte da Caixa? O fim da função social do banco e outros problemas que querem nos enfiar goela abaixo?”, questiona a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges.

No último ano, a Caixa cortou o número de funcionários de 100,3 mil para 97 mil em virtude dos Planos de Apoio à Aposentadoria (PAA). A instituição financeira também não nomeou nenhum aprovado no concurso realizado em 2014. A contratação de dois mil empregados estava prevista na cláusula 50 do Acordo Coletivo de Trabalho 2014/2015, que não foi cumprida pela Caixa. Por isso, a 6ª Vara do Trabalho de Brasília (DF) julgou procedente, em outubro de 2016, a Ação Civil Pública, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins), que questiona a não contratação dos aprovados no concurso, dando à Caixa o prazo de seis meses para apresentar estudo de dimensionamento do quadro de pessoal.

“As agências já estavam com déficit no número de funcionários. Com o PDV e sem nenhuma perspectiva de novas contratações a situação vai ficar ainda pior. A sobrecarga de trabalho vai aumentar, consequentemente as doenças ocupacionais também, além da demora no atendimento ao cliente por causa da grande demanda de trabalho para poucos funcionários”, destaca Lizandre.

Junto com o PDV também foi anunciado o fechamento de agências consideradas deficitárias, ou seja, que não dão lucro, abertas principalmente nos últimos anos para pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família. Com o fechamento das agências esse pagamento pode migrar para os correspondentes bancários, como Lotéricas e Caixa Aqui. Também não se descarta a utilização de bancos digitais.

“No Espírito Santo a maioria dessas agências que querem fechar foram abertas em municípios que não tinham a presença da Caixa Econômica. Caso sejam realmente fechadas, as pessoas terão que se deslocar 30, 40, 50 Km para ter acesso a uma agência”, afirma Lizandre.

A diretora do Sindibancários também destaca que empurrar os clientes para os correspondentes bancários e para os bancos digitais não é a melhor solução.

“Muitas pessoas não têm condições de ter equipamentos como tablet e smartphone, o que vai se tornar mais difícil em cenário de crise, retirada de direitos e arrocho salarial. Portanto, a inclusão digital não é uma realidade no Brasil e nem todos poderão utilizar o banco digital. Quanto aos correspondentes bancários, eles não prestam todos os serviços bancários e têm restrições como limite de acesso a saque, valor restrito de pagamento de conta, entre outros. Sem contar que os correspondentes bancários são uma forma de ampliar o lucro dos banqueiros, que já é enorme, por meio da exploração do trabalhador, pois eles fazem o trabalho bancário sem ter o mesmo direito que os bancários”, diz.

Dia Nacional de Luta

Diante desse cenário, Lizandre destaca a importância da mobilização.

“Nós não temos que pensar que é uma política que está consumada. Temos que resistir e não aceitar o fim da Caixa, pois é isso que essas iniciativas propõem”, alerta.

Um dos passos que os bancários darão é realização do Dia Nacional de Luta, na quinta-feira, 12, quando é comemorado o aniversário da Caixa. A manifestação também será pelo fim dos descomissionamentos arbitrários, pelo fim do caixa minuto e em defesa da Caixa 100% pública.

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