Projeto aprovado na Câmara permite venda de transgênicos sem selo de identificação

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que altera as informações sobre produção transgênica nos rótulos dos alimentos, dificultando a identificação dessa modificação genética pelos consumidores. O selo de transgenia será obrigatório somente nas embalagens dos alimentos que apresentam organismos transgênicos superiores a 1%. De autoria do deputado Luís Carlos Heinze (PR-RS), ex-presidente […]

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que altera as informações sobre produção transgênica nos rótulos dos alimentos, dificultando a identificação dessa modificação genética pelos consumidores. O selo de transgenia será obrigatório somente nas embalagens dos alimentos que apresentam organismos transgênicos superiores a 1%.

De autoria do deputado Luís Carlos Heinze (PR-RS), ex-presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), o projeto 4.148/08 foi aprovado no dia 28 de abril por 320 votos a favor e apenas 135 contra. Da bancada capixaba, foram favoráveis ao projeto os deputados Marcus Vicente (PP), Jorge Silva (PROS), Max Filho (PSDB), Carlos Manato (Solidariedade), Paulo Foletto (PSB) e Evair de Melo (PV). Os parlamentares Helder Salomão (PT), Givaldo Vieira (PT) e Sérgio Vidigal (PDT) foram contrários. O deputado Lelo Coimbra (PMDB) não compareceu à sessão.

“Os agricultores familiares, depois de muita luta, conseguiram fazer com que a identificação dos produtos transgênicos fosse feita por meio do selo, dando ao consumidor a possibilidade de ter a informação sobre aquilo que está comprando, fazendo com que ele possa escolher se quer ou não comprar um alimento transgênico. A lei aprovada na Câmara tira das pessoas o direito de saber o que de fato elas estão levando para casa”, afirma Leomar Lírio, coordenador estadual do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA).

Para o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), a aprovação do projeto reflete a submissão dos parlamentares às empresas do agronegócio, que são grandes financiadoras de campanha. “Vivemos um momento em que a sociedade começa a ter consciência dos malefícios causados pelos produtos transgênicos por causa de debates feitos no país inteiro por pequenos agricultores, ambientalistas e profissionais da saúde, que apontam as doenças que esses alimentos podem gerar, entre outros fatores. Por isso, há uma maior rejeição aos transgênicos. Daí a necessidade do empresariado negar a informação aos consumidores. E para isso conta com um congresso submisso a seus interesses. Afinal, as empresas do agronegócio são grandes financiadoras de campanha”, diz Carlão.

O projeto de lei segue agora para a votação no Senado.

Imprima
Imprimir

Comentários