Projeto Pé Na Estrada: um dia de natureza, agroecologia e cultura camponesa

Cerca de 70 pessoas botaram o Pé Na Estrada no último sábado, 29, e seguiram viagem para Parajú, em Domingos Martins, onde fizeram um intercâmbio com famílias camponesas do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Lá, elas puderam ficar mais próximas da natureza e conhecer a agroecologia, um modo de produzir alimentos que respeita o meio […]

Cerca de 70 pessoas botaram o Pé Na Estrada no último sábado, 29, e seguiram viagem para Parajú, em Domingos Martins, onde fizeram um intercâmbio com famílias camponesas do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Lá, elas puderam ficar mais próximas da natureza e conhecer a agroecologia, um modo de produzir alimentos que respeita o meio ambiente e a vida.

Na chegada à comunidade, um café da manhã tipicamente camponês aguardava os participantes. Na mesa, produtos feitos pelas famílias de tradição alemã que moram na região, como pães caseiros, geléias, queschmier – uma espécie de coalhada – e o brot, um famoso pão de milho.

Leomar Lírio, dirigente estadual do MPA, deu as boas-vindas a todos, dando início a uma roda de conversa. “É com muita alegria que nós, camponeses e camponesas que trabalhamos a terra e plantamos o alimento que chega à mesa da cidade, recebemos vocês, trabalhadores e trabalhadoras urbanos, lutadores e lutadoras do povo”.

Durante a atividade, os participantes puderam tirar dúvidas sobre a produção agroecológica, entendendo, por exemplo, a diferença entre o produto orgânico.

“O orgânico está dentro de uma lógica de mercado, sua produção é similar à convencional, porém substitui insumos químicos por naturais. Por uma questão de mercado, são vendidos por preços altos e acabam chegando apenas às mesas de pessoas de alto poder aquisitivo, mas isso não é por causa do custo de produção”, explicar Priscila Albani, dirigente do MPA.

“A médio e longo prazo a produção agroecológica é mais barata que a convencional, porque recupera a fertilidade da terra, utiliza os insumos da própria natureza e fica livre da compra de venenos e sementes. Mas o processo de transição é difícil, são necessárias políticas públicas de incentivo, como financiamento, acesso à terra e assistência técnica adequada. A proposta do MPA é a produção de alimento saudável voltada para toda a classe trabalhadora, garantindo preço justo para quem produz e para quem compra os alimentos”, complementa.

Segundo Priscila, o uso de agrotóxicos e de máquinas pesadas na agricultura começou no período pós-guerra, a partir do “aproveitamento” de armas químicas e de máquinas de guerra.

“Há 30 ou 40 anos, nossos pais e avós não utilizavam veneno na roça. Ninguém utilizava. As famílias produziam de tudo e vendiam seu excedente, comprando pouquíssimas coisas que não eram produzidas na propriedade. Com a Revolução Verde, a partir da década de 70, foi implantado no campo um novo modelo de produção, com base nos agrotóxicos, na monoculturação e no uso de máquinas pesadas. Houve uma reeducação dos camponeses incentivada pelo Estado e pelos seus órgãos de assistência rural”, explicou.

Contato com a natureza

Durante o passeio, os participantes puderam ficar mais próximos da natureza, trocar energia com a mata e com as cachoeiras da região. No caminho de uma das propriedades, um jequitibá centenário reinava numa reserva de Mata Atlântica.

“Essa região foi ocupada por muitas famílias camponesas, o que permitiu a preservação do meio ambiente. A relação dos camponeses é de integração, e não de devastação. É uma lógica diferente da lógica do agronegócio e do latifúndio. Nessas terras estão as nascentes dos rios que abastecem a Grande Vitória”, lembra Leomar.

O banho de cachoeira lavou corpo e alma dos participantes. Aqueles que não se arriscaram a entrar na queda d´água se divertiram passeando pelo entorno.

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Público diverso

Muitos trabalhadores aproveitaram para fazer o passeio em família, reunindo várias gerações no Pé Na Estrada.

A senhora Hercília Geraldo de Souza, de 76 anos, foi a convite do filho, o bancário Paulo Henrique de Souza. Na atividade, ela pôde relembrar a infância no campo. “Meu pai era agricultor em Mimoso do Sul. Ele colhia de tudo, tinha uma horta enorme, criava porco, galinha. A gente tinha muita fartura, comprava pouca coisa no mercado. Gostei muito de conhecer o pessoal aqui, achei muito válido”.

Ao contrário de dona Hercília, o bancário da Caixa Dimitri Salviato Rodrigues, de 25 anos, tem pouco contato com o campo, mas também aproveitou a viagem. “Foi bem proveitosa essa experiência. Sempre tive a curiosidade de conhecer a produção da agricultura familiar, eu leio sobre isso, mas queria presenciar”.

A bancária Jaqueline Pâmela de Souza, do Itaú, é original de São Paulo e trabalha em Vitória. Ela contou que já tinha preferência por alimentos orgânicos, e que a partir de agora dará ainda mais valor à produção sem agrotóxico.

“Eu conhecia muito pouco sobre a agroecologia. Agora que conheci de perto é vou dar mais preferência aos alimentos sem veneno. O passeio também foi uma forma de conhecer a região, um lugar que eu não conheceria se não fosse pelo projeto”.

Noite cultural

Pra encerrar com chave de ouro, uma noite cultural com churrasco, caldo verde e muita música embalou a noite de sábado.

De acordo com o secretário de cultura do Sindibancários/ES, Derik Bezerra, o projeto, que já foi realizado pelo Sindicato em anos anteriores, tem uma perspectiva cultural e também política. “Estamos restabelecendo o projeto Pé na Estrada, que tem o intuito de percorrer o nosso estado, conhecer a realidade do Espírito Santo e compartilhar com companheiros de outros espaços de luta suas experiências, a fim de fortalecer a resistência dos trabalhadores do campo e da cidade, além de proporcionar para os bancários e bancárias um momento de lazer, fora da rotina estressante de trabalho. Nossa intenção é fazer do Pé na Estrada um projeto permanente, realizando novas edições em breve”.

 

Veja fotos do projeto Péna Estrada pelo Faceebook ou pale galeria do FlickR

 

 

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