Proposta do BB para a Cassi é armadilha para os associados

A orientação do Sindibancários/ES é para que os empregados não aceitem a proposta e votem "Não"

Após oito rodadas de negociação, o Banco do Brasil apresentou uma proposta para a Cassi, que inclui mudanças na governança e no custeio da Cassi. Dentre os principais problemas da proposta está a quebra da solidariedade e a concessão de voto de minerva ao presidente da Cassi, que é indicado pelo BB.

Diante dessas e outras mudanças , o Sindibancários/ES orienta a não aceitação da proposta, que tem as mesmas premissas e princípios da que foi rejeitada por mais de 91 mil associados em outubro do ano passado. Uma das principais armadilhas da proposta atual é o aumento progressivo da proporcionalidade contributiva para os associados e redução para o banco até 2022, quando a contribuição sairá dos 64% atuais do BB para 55%, e de 36% atuais dos associados para 45%.  Além disso, os associados também passarão a ter que contribuir por dependente.

“Nossa defesa é pela manutenção da forma de custeio solidária do plano, que é a mais justa. Não há argumento técnico que justifique a necessidade do BB em determinar como será o rateio da parte do custeio devido aos associados, ou que a quebra da solidariedade será melhor para os associados, a Cassi ou o BB. A proposta ideal é que se mantenha a relação de 60% e 40% e o regime de solidariedade”, defende a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

Outra disparidade que consta na proposta do banco é a contribuição integral dos empregados admitidos a partir de 01 de janeiro de 2018 após a aposentadoria. “É no mínimo absurdo negar aos próximos bancários que possam usufruir da Cassi na aposentadoria, uma vez que terão a contribuição do banco apenas enquanto estiverem na ativa. Depois, terão que se autopatrocinar. O estatuto da Cassi prevê que todo empregado é associado ao plano nas mesmas condições. Se autorizarmos essa alteração, permitiremos a quebra de isonomia de tratamento”, completa Goreti.

Sustentabilidade

De acordo com a proposta apresentada, também será pago pelo BB a taxa de administração de 10% sobre todas as contribuições patronais e dos empregados da ativa até 2021.  Após esse período, não há garantia nenhuma de que o banco continuará responsável pela taxa, criando uma nova instabilidade na sustentabilidade do plano. Além disso, a proposta do BB garante equilíbrio nas contas da Cassi somente até 2022 e solvência até 2023.

Governança

Além de aumentar a contribuição dos associados, a proposta do BB também prevê a autorização para que o patrocinador tenha mais poder sobre o plano, com direito a voto de minerva em questões importantes.

“O Banco do Brasil não é sócio da Cassi, e sim patrocinador. Como tal, não pode ter direito a voto de minerva. Nós, associados,  somos os donos da Cassi.  Se aprovarmos essa proposta, daremos ao patrão a liberdade de interferir na Cassi como quiser, mesmo em questões prejudiciais aos associados.  Dificilmente reconquistaremos essa perda de poder e de liberdade para fazer a gestão do plano de acordo com as necessidades dos associados. Enquanto querem aumentar nossa responsabilidade financeira, o BB quer contribuir menos e ter mais poder sobre nosso plano”, alerta Goreti.

Cassi

A Cassi não é apenas uma operadora de plano de saúde, mas um sistema criado coletivamente para cuidar integralmente da saúde dos empregados e de seus familiares a longo prazo. Outra atuação da Cassi é a gestão de saúde e saúde ocupacional.

No entanto, nos últimos anos medidas de prevenção ao adoecimentos e de  cuidados com a saúde não foram implementadas  pela Cassi como previsto no acordo coletivo de 2007, o que reduziria os custos do plano. A proposta apresentada pelo banco também não soluciona essa questão, uma vez que não traz quais instrumentos e recursos serão utilizados para essas atividades.

Adoecimento da categoria

O crescimento dos casos de adoecimento da categoria é notável. O assédio moral, a pressão para bater metas e a sobrecarga de trabalho têm sido as principais causa de adoecimento psíquico dos bancários e bancárias. Essa realidade impacta diretamente e de forma permanente nos custos da Cassi.

“O adoecimento é resultado direto desses processos do trabalho. A sustentabilidade da Cassi passa também, portanto, por uma profunda mudança na forma de gestão do BB, que atualmente é adoecedora. É preciso discutir a prevenção ao assédio moral”, destaca o diretor do Sindibancários/ES, Thiago Duda.

 

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