Caixa não aceita reivindicações e obriga bancários a entrarem em greve

Nesta quarta-feira, 24, foi realizada uma rodada de negociação entre a Caixa e a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, na qual o banco apresentou suas propostas para a Campanha Salarial 2014. A instituição financeira não atendeu aos anseios dos trabalhadores e trabalhadoras, negando reivindicações históricas, como isonomia, PLR Social e ampliação do número de […]

Nesta quarta-feira, 24, foi realizada uma rodada de negociação entre a Caixa e a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, na qual o banco apresentou suas propostas para a Campanha Salarial 2014. A instituição financeira não atendeu aos anseios dos trabalhadores e trabalhadoras, negando reivindicações históricas, como isonomia, PLR Social e ampliação do número de funcionários e funcionárias. Além disso, apresentou propostas que são consideradas retrocesso, como o acesso à Universidade Caixa por meio da internet fora do ambiente de trabalho.

Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, as propostas não atendem os problemas mais urgentes dos bancários e bancárias. “Havia uma expectativa não somente da Comissão de Empregados, mas também de todos trabalhadores e trabalhadoras, de que seríamos contemplados em questões como aumento do número de empregados, melhoria na infraestrutura e, ainda, nas cláusulas econômicas. Nesse último aspecto a Caixa se limitou a dizer que vai seguir o índice da Fenaban, que não contempla a categoria, principalmente os bancários da Caixa, que têm uma defasagem salarial de cerca de 90%”, afirma Lizandre.

Diante das propostas apresentas pela Caixa, a também diretora do Sindicato, Renata Garcia, defende intensa mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras. “As propostas da Caixa são uma afronta. Não podemos aceitar isso. Estamos vivendo um momento político favorável para alcançar determinadas conquistas, como a isonomia, que não foi contemplada. Por isso, convocamos todos os bancários e bancárias para a assembleia que acontecerá na quinta-feira,dia 25, ás 18h, no Centro Sindical. Vamos nos mobilizar para dar início à greve no próximo dia 30”, defende Renata.

Veja as propostas da Caixa:

Proposta econômica – Os representantes da Caixa informaram que aplicarão o mesmo índice de reajuste a ser acordado entre a categoria e a Federação dos Bancos (Fenaban).

Isenção de tarifas – O banco propôs incluir no acordo coletivo medida que já pratica entre os empregados: não cobrar tarifa de conta corrente para renovação de cheque especial, confecção de cadastro para início de relacionamento, fornecimento de 2ª via de cartão função débito, fornecimento de folhas de cheque, saque, DOC, TEV e extrato mensal.

Saúde Caixa – Sobre o plano de saúde, o banco apresentou a possibilidade de manter como dependentes indiretos filhos e enteados com idade entre 21 e 27 anos incompletos que não possuam qualquer renda superior a R$ 1.800 – sem considerar pensão alimentícia.

O convênio médico será assegurado aos filhos com deficiência permanente e incapazes com idade superior a 27 anos enquanto solteiros e sem renda proveniente de salário.

Na ausência permitida para levar filho ou dependente menor ao médico, seria elevado o limite de idade de 14 anos para 18 anos. Essa possibilidade também seria estendida ao enteado.

Também haveria a manutenção da garantia da titularidade de função gratificada ou cargo em comissão pelo período da licença para tratamento de saúde ou licença por acidente de trabalho até 180 dias.

PLR Social – Os interlocutores do banco alegaram que não tem uma posição sobre a manutenção do pagamento da PLR Social, porque o assunto está sendo negociado no Ministério da Fazenda. O direito foi conquistado pelos trabalhadores durante a Campanha 2010 e prevê percentual de 4% do lucro líquido para ser distribuído linearmente entre todos os empregados.

Os negociadores do banco também descartaram a discussão sobre a isonomia entre novos e antigos empregados.

Universidade Caixa – A Caixa propôs disponibilizar o acesso ao portal da Universidade Caixa pela Internet. Os representantes dos trabalhadores criticaram o posicionamento do banco. Segundos eles, essa proposta representa um retrocesso porque o movimento dos empregados tem lutado para que os cursos sejam feitos dentro da jornada de trabalho.

Graduação – A Caixa aceitou recolocar no acordo específico a concessão de bolsas de incentivo à elevação da escolaridade, sendo até 300 para graduação, até 500 para pós e até 800 para idiomas. Os interlocutores da empresa alegam que a procura por cursos caiu e ficaram de apresentar o estudo realizado para redimensionar o programa. A empresa havia suprimido o direito de forma unilateral no primeiro semestre desse ano.

Fórum de Condições de Trabalho – A Caixa entregou ao Comando a proposta de atuação do Fórum de Condições de trabalho, que será formado por representantes da empresa e da Contraf. Serão constituídos fóruns regionais e um fórum nacional, que terão como atribuição construir ações preventivas e para solucionar problemas relativos às condições de trabalho.

Confira outros pontos da proposta da Caixa:

  • Renovação da cláusula que garante a isenção de anuidade dos cartões de crédito aos empregados.
  • Manutenção do enquadramento dos empregados, no programa de relacionamento para redução dos juros do cheque especial.
  • Para efeito de ausência permitida para levar filho ou dependente ao médico, será elevada a idade para até 18 anos e incluído o enteado.
  • Manutenção da sistemática de suplementação do auxílio doença pago pelo INSS.
  • Renovação da cláusula em que considera como de efetivo exercício os primeiros 15 dias de licença para tratamento de saúde do empregado.
  • Será mantida a titularidade da Função Gratificada ou Cargo em Comissão, pelo período da licença de tratamento de saúde ou licença por acidente de trabalho até o limite de 180 dias
  • Isenção de tarifas para empregados ativos e aposentados.
  • Garantia da continuidade da licença maternidade até o término do período previsto inicialmente, em caso de falecimento da mãe e sobrevida do filho.
  • A Caixa propõe reescrever a cláusula referente à Licença Adoção, facultando a qualquer dos adotantes o gozo da licença, incluindo, ainda os 60 dias concedidos pelo programa “Empresa Cidadã”. O outro adotante poderá gozar o período equivalente à licença paternidade.
  • Ampliação para até três dias do descanso remunerado para os empregados que cumprirem um ciclo de trabalho em Agências Barco.Assembleias

O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf e assessorado pela CEE/Caixa, orienta os sindicatos que representa em todo o país a realizarem assembleias nesta quarta ou quinta-feira, dias 24 ou 25, para rejeitar a proposta apresentada pela Fenaban e decretar greve por tempo indeterminado a partir do dia 30.

Com informações da Contraf, Fenae e Seeb Brasília. 

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