Grito dos Excluídos protesta contra crime ambiental da Samarco

Esta foi a 22º edição do Grito dos Excluídos, que neste ano levou às ruas milhares de pessoas para protestar contra o crime ambiental cometido pelas mineradoras Vale, Samarco e BHP Billiton por meio do rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015.

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O Grito dos Excluídos chegou à sua 22ª edição. Neste ano, uma das novidades foi que o ato, realizado na manhã do dia 7 de setembro, levou às ruas milhares de pessoas para protestar contra o crime ambiental cometido pelas mineradoras Vale, Samarco e BHP Billiton por meio do rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015. A iniciativa vai ao encontro do lema do Grito 2016, que é “Este sistema exclui, degrada e mata”.

O Grito dos Excluídos foi organizado pelo Fórum Capixaba em Defesa da Bacia do Rio Doce e pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória (CJP) juntamente com diversas pastorais, sindicatos e movimentos sociais.

“O Grito existe para que a cada 7 de setembro a gente possa refletir sobre a nossa realidade e denunciar as estruturas de poder que impedem que o sol da liberdade possa raiar para todos e todas. Aqui no Espírito Santo decidimos que nada simbolizaria mais a falência do atual sistema econômico do que o crime ambiental da Vale, Samarco e BHP”, diz um dos coordenadores do Fórum e presidente da CJP, Bruno de Souza.

Ele destaca a resistência popular diante do ocorrido.

“Na lama de resíduos tóxicos da Samarco vimos jorrar o Brasil colonial, dependente do capital internacional, um Brasil antidemocrático, a complacência do Estado brasileiro e dos políticos financiados pela Vale. Mas também vimos um Brasil que resiste, que é esse que está aqui hoje, que está se organizando em diversos fóruns, seja em Minas, seja em diversos municípios do Espírito Santo. O Grito de hoje é um grito de resistência! Vamos resistir e vencer!”, afirma.

A complacência do Estado, destacada por Bruno, foi o mote de uma encenação feita pelo Sindicato dos Bancários/ES durante o ato. A morte, simbolizando as mineradoras criminosas, caminhou durante toda a manifestação junto com seus capangas, que representavam os prefeitos de Colatina, Leonardo Deptulski; de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Júnior; e os governadores do Espírito Santo, Paulo Hartung; e de Minas Gerais, Fernando Pimentel, que carregavam um caixão escrito Rio Doce.

Contudo, a reflexão não ficou restrita às questões ambientais.

“O 7 de setembro não significa independência. Há mais de 500 anos as elites fazem um processo de invasão e genocídio neste país. Trata-se de uma elite escravista. E as reformas do governo golpista de Temer, como a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, mostram isso, pois querem aprofundar a exploração da classe trabalhadora”, diz o diretor do Sindibancários, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

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União Campo e Cidade

Diversos movimentos sociais do campo compareceram ao Grito dos Excluídos, entre eles, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

“O ato teve uma representatividade muito boa, tanto na questão da presença de trabalhadores do campo e da cidade, quanto na diversidade de categorias profissionais presentes”, destaca o diretor do Sindibancários, Fabrício Coelho.

“Sabemos que o inimigo é comum, que a degradação ambiental afeta tanto o campo quanto a cidade. Contudo, fizemos questão de estar aqui hoje porque os crimes ambientais cometidos por essas empresas, muitas vezes financiadas pelo poder público, alteram a nossa produção, pois precisamos de um equilíbrio natural do meio ambiente, que está sendo destruído”, relata um dos integrantes do MPA, Leomar Lírio.

Discriminação de Gênero

A discriminação de gênero também é um dos inúmeros crimes cometidos pela Samarco. É o que relata a pescadora Rejane Soares Rosa, que saiu de Mascarenhas, em Baixo Guandú, para participar do Grito dos Excluídos.

“A Samarco exclui as mulheres do recebimento do benefício destinado às pessoas que sobreviviam do pescado. Muitos homens ainda não recebem, mas a maioria que tem acesso são os homens. A mineradora está desvalorizando, ignorando o trabalho feminino. Inclusive, insinua que estamos querendo nos aproveitar da situação para ganhar dinheiro. Além de mulheres pescadoras, têm outras que também viviam da cultura da pesca em nossa região, como as que limpavam os peixes, as cozinheiras de restaurantes, entre outras, que estão excluídas. Há casos de donos de restaurantes que recebem o benefício, mas as cozinheiras não”, conta.

Além de atingidos e atingidas de Baixo Guandú, o Grito dos Excluídos contou também com os de Linhares, Colatina, São Mateus e Aracruz.

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