Quadro de funcionários do Banestes é insuficiente em todo o estado

Políticas de reestruturação implantadas pela direção agravam sobrecarga de trabalho e jornada fica cada dia mais exaustiva para os empregados. Transtornos também são transferidos para clientes do banco.

Sem a realização de contratações e com o último processo seletivo realizado em 2015, uma carência generalizada de funcionários toma conta do Banestes. Em algumas agências, há setores em que a taxa de funcionários desligados e não repostos é de 50% do quadro.

Em 2017, ocorreram 122 demissões sem justa causa. Com menos bancários, a sobrecarga de trabalho se agrava e a jornada de trabalho fica cada dia mais exaustiva. Em alguns casos, empregados lotados em agências com quadro já reduzido são transferidos temporariamente para cobrir buracos em unidades com situação ainda pior, aumentando a precariedade das condições de trabalho.

“No Palas Center, sede da administração do banco, há andares inteiros funcionando sem profissionais de secretariado. Várias secretárias foram demitidas e o banco não realizou reposições. As atividades destes empregados acabam sendo exercidas por estagiários para que a rotina possa seguir normalmente, configurando desvio de função”, denuncia Jonas Freire, diretor do Sindibancários/ES.

O problema da falta de empregados não é exclusividade da Grande Vitória. No interior do estado, as agências Pedra Azul, Cachoeiro, Atílio Vivacqua, Castelo, Alegre, São José do Calçado, Divino São Lourenço, Piacá e Rio Novo do Sul têm quadro de funcionários insuficiente, comprometendo o atendimento prestado pelo banco.

Mobilizações e contratações

A reivindicação de novos concursos e pela contratação de mais bancários tem sido reforçada pelo Sindicato dos Bancários. No último ano, o Sindicato realizou ações envolvendo concursados para pressionar o banco a contratar. Em resposta às reivindicações da categoria o Banestes convocou novos empregados, porém em número insuficiente para demanda de trabalho das agências.

Saúde dos trabalhadores

O intenso ritmo de produção e a pressão excessiva pelo cumprimento de metas é uma realidade cotidiana para os trabalhadores e trabalhadoras das agências bancárias. Não por acaso, atualmente os transtornos mentais são os principais causadores de adoecimento e afastamento dentro da categoria.

“A falta de funcionários compromete a saúde dos trabalhadores do banco e os submete a uma constante sensação de instabilidade e insegurança. Além disso, com a sobrecarga de trabalho os empregados são muitas vezes impedidos de realizar as pausas durante a jornada diária para o cuidado com a saúde”, ressalta Paulo Roberto Soares, diretor do Sindibancários/ES.

Clientes e setores mais afetados

Os transtornos atingem também os clientes do banco. A falta de funcionários pode ser sentida principalmente nos caixas e no atendimento, setores que lidam diretamente com a população. Se cada atendimento chega a ter uma média de duração de 30 minutos, nas agências que possuem apenas dois empregados exercendo esses cargos, ou apenas um, como também é frequente, o tempo de espera se torna insustentável.

Reestruturação e fechamento de agências

As demissões do Banestes fazem parte de um processo de reestruturação velado no banco, que inclui também demissões incentivadas e transferências compulsórias, a fim de forçar os desligamentos dos funcionários, além do fechamento de unidades consideradas menos lucrativas.

A direção do banco fechou o posto de Piaçu, em Muniz Freire, e outras unidades foram colocadas sob ameaça, como as agências de São Torquato, em Vila Velha, e o posto de Barra do Riacho, em Aracruz. A unidade de São Torquato foi mantida, porém transformada em posto de atendimento. Em Barra do Riacho, o posto de atendimento do banco, único na comunidade, foi mantido em função da intensa mobilização dos moradores, construída em conjunto com os banestianos e com o Sindibancários/ES.

“O Banestes, como banco público, não deve ter como objetivo principal o lucro. É um banco com o compromisso de apoiar o desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo, gerando empregos e melhorando as condições de trabalho. Essa política de reestruturação contraria esse papel e aproxima o Banestes de um banco de mercado. Por isso mantemos viva a luta em defesa do Banestes público e estadual – para que o banco permaneça como patrimônio público e que cumpra de fato seu dever como agente social”, critica Jessé Alvarenga, diretor do Sindicato.

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