Dos 16.879 postos de trabalho extintos este ano, 6789 eram da Caixa

Os bancos múltiplos com carteira comercial, categoria que engloba instituições financeiras como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foram responsáveis pelo fechamento de 9820 postos.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a setembro de 2017 os bancos fecharam 16.879 postos de emprego em todo o país. Desse total a Caixa foi responsável pelo fechamento de 6.789 postos, sendo 3.039 em março e 2.302 em agosto. Esses foram os dois piores saldos apresentados, fruto dos programas de demissão voluntária abertos pela empresa este ano.

A análise por Setor de Atividade Econômica revela que os bancos múltiplos com carteira comercial, categoria que engloba bancos como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foi responsável pelo fechamento de 9820 postos.

“A Caixa está contribuindo para o aumento do desemprego, o que é inaceitável. Com o PDVE e, consequentemente, a extinção maciça de postos de trabalho, está sendo intensificada a precarização das condições de trabalho dos bancários e bancárias que permanecem na empresa, pois eles têm que absorver as demandas dos demitidos, já que não há nomeação de concursados”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges.

Para Lizandre, essa política de enxugamento de funcionários e funcionárias revela o caráter antipopular do governo Temer.

“É uma forma de destruir um banco público, que atende a população mais pobre por meio de diversos programas sociais, como o financiamento imobiliário, que por meio da Caixa se torna possível para as camadas populares. A direção da Caixa compartilha com a política de desmonte do Estado, com o sucateamento das políticas de distribuição de renda conquistadas com muita luta pelos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, destaca.

Faixa Etária

Os bancários admitidos no período concentraram-se na faixa etária até 39 anos de idade. Os desligamentos concentraram-se nas faixas etárias superiores a 25 anos e, especialmente, entre 50 a 64 anos, com fechamento de 11.614 postos de trabalho. Os saldos são positivos apenas para as faixas de idade até 29 anos.

Desigualdade entre Homens e Mulheres

As 7.677 mulheres admitidas nos bancos entre janeiro e agosto de 2017 receberam, em média, R$ 3.540,35. Esse valor corresponde a 69,2% da remuneração média auferida pelos 7.735 homens contratados no mesmo período. A diferença de remuneração é observada também na demissão. As 15.166 mulheres receberam, em média, R$ 6.629,66, o que representou 78,6% da remuneração média dos 14.706 homens que foram desligados dos bancos.

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