Redução de encaixe prejudica trabalho de tesoureiros

A nova política de encaixe na Caixa tem trazido tem trazido diversas consequências negativas tanto para os trabalhadores quanto para os clientes.

Cinco meses após a implementação da nova política de encaixe na Caixa, que reduziu cerca de 40% o numerário das agências, empregados da tesouraria sofrem para garantir o abastecimento das unidades e denunciam que falta dinheiro até para caixas e salas de autoatendimento.

Sem recurso suficiente para abastecer todos os setores, os tesoureiros estão deixando desligados alguns caixas eletrônicos. Ainda assim, é preciso fazer a reposição das máquinas em funcionamento várias vezes ao dia – já que o montante disponibilizado acaba muito rápido –, atrasando e até inviabilizando a execução de outras tarefas da tesouraria. Nos finais de semana, quando as máquinas ficam desabastecidas, a população que usa o autoatendimento para saques fica ainda mais prejudicada.

Os tesoureiros já fizeram vários pedidos de revisão do encaixe para as Superintendência Norte e Sul da Caixa, mas a maioria foi negada, mesmo diante de pedidos fundamentados. Quando autorizados, os aumentos preveem valores irrisórios, que em nada modificam a situação enfrentada nas unidades da Caixa.

Tesoureiros assumem novos riscos

A situação é tão grave que, para manter dinheiro circulando nas agências, os tesoureiros estão sendo obrigados a operar com valores acima do encaixe, assumindo risco maiores que os da função.

“Há uma margem que pode ser utilizada em casos de emergência, que é de 50% acima do valor do encaixe; mas, se esse limite for ultrapassado, a responsabilidade sobre um eventual sinistro recai sobre o empregado. O prejuízo em caso de assalto ou qualquer outro dano envolvendo a agência pode ser enorme para o funcionário”, explica Renata Garcia, diretora do Sindicato e empregada da Caixa.

Além desses riscos, ao utilizar a margem de emergência o empregado precisa compensar nos dias seguintes, gerando um problema maior no futuro. Para minimizar a falta de recurso, is tesoureiros acabam fazendo operações dos caixas, como malotes e envelopes, assumindo também os riscos dessa função. Algumas vezes isso acontece por exigência dos próprios gerentes, o que caracteriza desvio de função e deve ser denunciado ao Sindicato.

“Se um gerente solicitar que o tesoureiro faça o serviço de caixa, ele deve fazer uma recusa justificada ou solicitar ao seu superior uma ordem de serviço. O documento é importante para resguardar o empregado e gerar provas contra o desvio de função”, orienta Garcia.

Mudança não foi justificada

Até hoje os motivos da redução do numerário das agências não foram explicados pela direção da Caixa. A revisão foi arbitrária e não seguiu nenhum critério técnico nem considerou as características das agências, já que o corte foi universal.

“É uma prática de auto sabotagem da Caixa. Tudo isso reflete no atendimento e representa um descaso generalizado do banco. Afeta o provisionamento de saques, o autoatendimento, os caixas, os avaliadores de penhor, tudo fica prejudicado”, critica Vinicius Moreira, diretor do Sindicato.

A revisão do encaixe não foi a única mudança adotada pela Caixa. A direção também reduziu o número de pedidos de carro forte que podem ser feitos pelos tesoureiros e limitou o prazo para alterar o valor solicitado. Na prática, fica inviável trabalhar nessas condições e os tesoureiros estão extrapolando os pedidos.

“O não cumprimento dessas regras impacta na avaliação individual dos empregados e, consequentemente, na carreira”, pondera Vinícius, explicando que todas essas exigências são incorporadas nas novas metas impostas pela Caixa. “Para bater a meta de encaixe, eles acabam sacrificando a de pedidos de carro forte”, complementa.

Problemas aumentaram após fechamento das Reret´s

Não é de hoje que os tesoureiros enfrentam dificuldades. A função vem passando por várias reestruturações, a última delas, em 2016, extinguiu a área de retaguarda da Caixa (RERET´s), de modo que os tesoureiros deixaram de ser subordinados à Gerência de Retaguarda (GIRET), hoje CICOC, e passaram a integrar a hierarquia das agências. Com a reestruturação, eles perderam o suporte das Giret´s e agora padecem com a falta de apoio das superintendências.

Com a função em extinção mais os consecutivos planos de demissão lançados pela Caixa, o número de tesoureiros foi reduzido e, ao invés de repor esses quadros, a Caixa passou a implementar o tesoureiro-minuto, com substituições pontuais de outros empregados que recebem pelo tempo de substituição. O fato é que poucos funcionários querem substituir uma função em vias de ser extinta, o que por vezes dificulta o agendamento de férias ou outras ausências programadas por parte dos tesoureiros, como a retirada de abonos, ausências médicas e outros direitos.

“É uma função estruturante para o atendimento; sem o tesoureiro uma agência não abre. E eles têm uma rotina marcada por forte demanda, alto grau de responsabilidade e exposição a riscos. É revoltante que a Caixa trate esses empregados com tanto desprezo”, ressalta Renata Garcia.

Reestruturações favorecem desmonte da Caixa

As mudanças estruturais na Caixa atendem ao interesse do mercado, de enfraquecer a imagem do banco e quebrar seu papel social para facilitar a privatização do maior banco público do país. Para isso, tentam precarizar os serviços e convencer a população de que a Caixa é ineficiente, como explica Vinicius Moreira, diretor do Sindicato.

“As principais derrotas das tentativas de privatização vieram pelo apoio popular. Para justificar a privatização, o governo faz um movimento de incitar o povo contra o banco, provocando uma piora deliberada no atendimento. Temos que desmarcar esse processo de precarização do trabalho e de sucateamento da Caixa resistindo a ele”, diz Vinicius.

A denúncia é ilustrada por situações cotidianas vividas pelos empregados da Caixa. No início do ano, houve uma falta generalizada de envelopes para reposição nas salas de autoatendimento, que gerou revolta entre a população. Um tesoureiro chegou a ser agredido verbalmente pelos clientes ao não conseguir fornecer os materiais.

“Falta até o básico. O banco quer que os empregados resolvam todo tipo de problema sem dar as condições necessárias, como no caso dos tesoureiros. E a revolta recai sobre os trabalhadores”, conclui Moreira.

Tesoureiros, avaliadores de Penhor e caixas convocados para plenária

No dia 05 de maio o Sindicato do Bancários convoca tesoureiros, caixas e avaliadores de penhor para uma plenária sobre as condições de trabalho. A discussão e organização coletiva desses empregados é urgente para tentar resistir aos problemas.

“Todos esses empregados estão sendo penalizados pelo desmonte da Caixa. São problemas que não podem ser resolvidos individualmente, precisamos da unidade desses funcionários”, diz Giovanni Riccio, diretor do Sindicato.

A realização da atividade foi um dos encaminhamentos de plenária anterior com os tesoureiros, realizada no dia 24 de março, para discutir os problemas e buscar alternativas. Eles também decidiram pautar nacionalmente o tema junto à Comissão Executiva dos empregados (CEE/Caixa) para que seja colocado em negociação com o banco.

O Sindibancários/ES já cobrou da Superintendência Norte a revisão do encaixe e vai continuar pressionando o banco, mas ações de luta conjunta da categoria serão necessárias para conseguir reverter a redução do numerário.

Atenção, tesoureiros, caixas e avaliadores de penhor!
Plenária Dia 05/05
Local: auditório do Sindibancários (rua Wilson Freitas, 93, Centro, Vitória)
Das 9h às 13h

 

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