Segunda rodada de negociação continua nesta quinta-feira

A segunda rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2015 continua nesta quinta-feira, 03, quando serão discutidas as questões sobre saúde, condições de trabalho e segurança. Durante a reunião de ontem, os bancos se recusaram, mais uma vez, a atender as cláusulas que asseguram o direito à saúde nos bancários no local de trabalho […]

A segunda rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2015 continua nesta quinta-feira, 03, quando serão discutidas as questões sobre saúde, condições de trabalho e segurança. Durante a reunião de ontem, os bancos se recusaram, mais uma vez, a atender as cláusulas que asseguram o direito à saúde nos bancários no local de trabalho e põe fim ao adoecimento na categoria.

Os representantes patronais negaram avanços em itens que tratam dos afastados por doenças relacionadas e não querem discutir a estabilidade para quem faz denúncia de que foi vítima de assédio moral, por exemplo.

“Foi muito ‘não’ na rodada de negociação de hoje, o que mostra a necessária mobilização dos trabalhadores”, avalia o coordenador geral do Sindibancários/ES e representante da Intersindical no Comando Nacional, Jessé Alvarenga.

Nesta quinta-feira, 3, as negociações continuam no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. O calendário já definido em comum acordo com a Fenaban prevê para o dia 9 de setembro o debate sobre as reivindicações sobre igualdade de oportunidades. Já no dia 16 de setembro o tema será remuneração.

Categoria adoecida

Com uma rotina de trabalho cada vez mais estressante com metas abusivas e muita pressão pela cobrança de resultados, a categoria bancária está entre as que mais apresentam problemas de saúde com causas nas condições de trabalho. Os casos de transtornos mentais e comportamentais estão crescendo muito mais rapidamente na categoria bancária e já superam os adoecimentos relativos a LER/Dort. Entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

O INSS ainda não divulgou os dados do ano todo de 2014 sobre o setor bancário, mas tabelas completas de anos anteriores reforçam este aumento. Em 2009, foram 2957 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Já em 2013, os números chegaram a 5042 bancários. Um crescimento de 70,5%, conforme estudo do Dieese com base nos benefícios previdenciários e acidentários concedidos pelo INSS. No mesmo período, nas outras categorias, o crescimento foi de 19,4%.

“Os números mais uma vez comprovam que a exigência de resultados, a imposição de metas inatingíveis e a busca por lucros bilionários pelos bancos está sendo às custas da saúde física e mental dos bancários. Por isso, nossa luta não é apenas por valorização salarial, mas por melhores condições de trabalho e respeito à vida dos bancários e bancárias”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Fim das metas e do assédio moral

O Comando Nacional dos Bancários também destacou a convenção 161 da OIT, que tem o Brasil como signatário, estabelecendo objetivos, princípios e diretrizes de uma política nacional de saúde a partir do diálogo social com os trabalhadores.

A negociação com a Fenaban continua nesta quinta-feira (3) com as discussões sobre o GT do adoecimento, grupo de trabalho bipartite que tem a função de analisar as causas dos afastamentos dos empregados do ramo financeiro. Outra reivindicação dos bancários é a alteração da redação da cláusula do programa de “reabilitação” do trabalho, para “retorno” ao trabalho, já que reabilitação é uma atribuição do Estado e não pode ser executado pelas empresas, como os bancos têm feito. A extensão integral dos benefícios para os bancários afastados também está na pauta.

Além das reivindicações de saúde e condições de trabalho, a segunda rodada também debaterá as demandas sobre segurança bancária. O Comando Nacional reivindica melhores condições de segurança para bancários e clientes e assistência às vítimas de assaltos, sequestros e extorsão. Também estão na pauta a permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas; fim da revista íntima, ainda praticada por muitas agências no País; abertura e fechamento remoto das agências; fim da guarda das chaves por funcionários e extinção das tarifas para transferência de dinheiro via DOC e TED.

Levantamento realizado pela Contraf e pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com apoio técnico do Dieese, aponta que 66 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2014, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês.

Calendário de Negociações com a Fenaban

3 de setembro – Saúde, Condições de Trabalho e Segurança
9 de setembro – Igualdade de Oportunidades
16 de setembro – Remuneração

Com informações da Contraf.

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