Seminário discute Banestes público e lança campanha em defesa do banco

A atividade buscou envolver os empregados do banco em uma nova campanha em defesa do Banestes público e estadual. No evento, eles ajudaram a pensar ações de mobilização e divulgação da campanha

Valorizar o Banestes como patrimônio público e do povo capixaba. Essa foi a mensagem que marcou o Seminário “Esse banco é da nossa conta”, realizado pelo Sindicato dos Bancários/ES no último sábado, 18. O evento aconteceu no Centro de Formação Dom João Batista, em Vitória, e reuniu cerca de 70 bancários e bancárias do Banestes, de várias regiões do Espírito Santo. A atividade buscou envolver os empregados do banco em uma nova campanha em defesa do Banestes, lançada durante o evento.

A campanha, com tema homônimo ao do seminário, resgata a identidade visual de campanhas anteriores contra a privatização do Banestes promovidas pelo Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual

Na mesa de abertura, o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, salientou a importância de defender o Banestes diante de um contexto de avanço do capital privado sobre as empresas públicas.

“O neoliberalismo se esforça muito para tentar demonstrar que tudo o que é público é ruim, mas nós precisamos provar o contrário. O governador Paulo Hartung já disse que não tem preconceito em discutir a venda do banco, mas não podemos abrir mão do que é público, do que é nosso. Precisamos falar da importância de um banco que tem mais de 80 anos e que é um instrumento financeiro essencial para o Espírito Santo”, disse Jonas.

A presidente da Banespar, Maria José Marcondes Pimenta, esteve presente representando os aposentados do Banestes. “Nós, da associação, estamos ao lado do Sindicato nessa luta. Somos uma família Banestes e essa família deve permanecer unida”, destacou.

Ricardo Gobbi, representante eleito dos empregados na Fundação Baneses, reconheceu o protagonismo do Sindicato e dos banestianos que se engajaram para que o banco não fosse vendido no passado. “Muitos se doaram para essa luta, ajudando a preservar o nosso banco, que é um patrimônio e instrumento de independência financeira e institucional do nosso povo”.

O Banestes e o desenvolvimento do Espírito Santo

O Seminário contou com a exposição de Helder Gomes, mestre em economia e doutor em Política Social, no painel que debateu a importância do Banestes para o desenvolvimento do Espírito Santo.

“O Banestes foi criado ligado às tradições de cada região, primeiramente ligado ao café, para cuidar do desenvolvimento regional junto com o Bandes. O banco tem capilaridade, pois está presente em todos os municípios capixabas e, como banco público, tem como gerar horizontalidade, ou seja, tem condições de manter o excedente no próprio município”, explicou Helder.

Para o palestrante, defender o Banestes público não é defender apenas empregos, é defender um modelo de desenvolvimento diferente, garantindo a permanência de recursos no território capixaba. “O banco pode promover um processo de integração econômica através da produção regional no interior, integrando esse território. Mas se ele for vendido, os recursos captados no Espírito Santo vão pra sede do banco, que pode estar em outros estados ou até em outros países”.

Helder lembra que a onda de privatização no Brasil significou um processo de desnacionalização.  “O Volume de remessas para o exterior a partir de 2004 explodiu. Ficou em torno de R$ 30 bilhões. Significa que o que poderia ficar no território brasileiro está indo embora. Então pensar em banco público é reter excedentes aqui, criar integração econômica dentro do Estado, um processo de desenvolvimento local”.

O economista destacou ainda que o risco de privatização do Banestes é real e faz parte de uma política econômica que ‘justifica’ a concessão de bens públicos para o pagamento da dívida pública, que ao contrário de diminuir, só aumenta. “Em 1993 a nossa dívida interna era de R$ 5 bilhões. Chegou a R$ 700 bi no governo Fernando Henrique, a R$ 1,4 trilhões no governo Lula e hoje soma R$ 4 trilhões com Temer. E a justificativa da privatização era vender o patrimônio para editar essa dívida. Privatizaram, emprestaram dinheiro para quem estava comprando, desnacionalizaram, e nós não tivemos contrapartida nenhuma”, explicou.

 “À medida que o estado nacional está envolvido na questão da dívida, ele transfere para os estados a responsabilidade de fazer investimentos em desenvolvimento. Só que os estados também se endividam,  e sob alegação de que precisam atrair investimentos, fazem ajustes fiscais absurdos, com renúncias fiscais para as empresas, o que piora a situação econômica. Nesse modelo, não faz sentido manter empresas públicas. Novamente, a receita é vender. Os acordo estaduais de renegociação da dívida impõe uma política de austeridade, de corte de gastos e de venda das empresas públicas”, conclui Helder.

Luta diária

Conselheiro eleito dos Banestianos para o Conselho de Administração do banco, o diretor do Sindicato Jessé Alvarenga lembrou que já foi possível reverter a venda do Banestes, mas que a luta deve ser diária.

“A luta em defesa do Banestes vem da década de 1980 e ela é diária. O enfrentamento mais recente foi em 2009. Conseguimos junto com a sociedade capixaba reverter a proposta de venda. Sou otimista em relação ao banco. Há sinais do Palácio Anchieta de que o banco pode ser alvo de novo ataque, mas sabemos que Paulo Hartung assumiu publicamente o compromisso de não vender o Banestes, portanto cobraremos a palavra do governador”.

Construção coletiva

Durante o seminário, os participantes tiveram um momento em grupo para pensar ações de mobilização e divulgação da campanha. Foram sugeridos materiais de mídia e atividades de articulação entre os bancários e com a sociedade.

O coordenador geral do Sindicato fez um chamado aos banestianos para aderirem à campanha. “Mais de um milhão de pessoas passam pelo Banestes, entre clientes e usuários. Os bancários têm acesso a esse público e precisam levar a campanha a cada uma dessas pessoas. Essa campanha tem que ser feita na feira, no mercado, onde o bancário estiver”, disse Jonas Freire.

O técnico bancário Anderson Oliveira Silva, da agência Jardim Limoeiro, foi um dos que compareceram ao evento. Ele avaliou positivamente o seminário e demonstrou entusiasmo com a campanha. “O seminário ampliou a minha visão sobre o Banestes, me permitiu enxergar de maneira mais ampla os resultados do banco e sua importância. Estou entrando nessa campanha com os dois pés, porque acredito que devemos defender aquilo que é nosso, que tem dado resultado positivo ao Estado, por isso eu defendo o Banestes”.

A Campanha “Esse banco é da nossa conta” está sendo promovida pelo Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, que reúne movimentos sociais, sindicatos e entidades da sociedade civil em prol da manutenção do Banestes como patrimônio do povo capixaba. O Comitê é coordenado pelo Sindicato dos Bancários/ES.

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