Seminário discute linguagem de gênero

Na manhã desta quinta-feira, 12, teve início o Seminário Linguagem de Gênero, realizado pelo Coletivo de Mulheres do Sindicato dos Bancários/ES, na sede da entidade. O evento, que tem como objetivo debater a presença do machismo na linguagem e comemorar os 20 anos do jornal Mulher 24 horas, contou com a palestra da jornalista, coordenadora […]

Na manhã desta quinta-feira, 12, teve início o Seminário Linguagem de Gênero, realizado pelo Coletivo de Mulheres do Sindicato dos Bancários/ES, na sede da entidade. O evento, que tem como objetivo debater a presença do machismo na linguagem e comemorar os 20 anos do jornal Mulher 24 horas, contou com a palestra da jornalista, coordenadora executiva da Rede Mulher de Educação e diretora executiva da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira. A palestrante também é doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

Vera iniciou sua palestra com uma discussão sobre o que é gênero. “Trata-se de uma construção social que atribui a homens e mulheres características distintas e que coloca a mulher em uma posição de subordinação. E isso se reflete na linguagem, que pode ser escrita ou por meio de imagens, não é neutra nem inocente, pois manifesta uma ideologia”, diz a palestrante. Vera defende que a desconstrução do machismo deve ser feita no dia a dia das pessoas. “Cada um tem que desconstruir em espaços como o trabalho e a família a relação de opressão contra as mulheres, por exemplo, não atribuindo as tarefas domésticas somente às meninas”, defende Vera.

A doutora em Ciências da Comunicação mostrou diversos exemplos de como as imagens, principalmente as de campanhas publicitárias, pregam a opressão feminina, por exemplo, as propagandas que fazem apologia à cultura do estupro a um padrão de beleza a ser seguido, excluindo mulheres negras e gordas. O bancário do Bradesco Alecir Domiciano de Oliveira acha que um dos pontos fortes do evento foi a grande participação do público. “O microfone ficou aberto para quem quisesse falar e todos que se dispuseram a fazer isso deram uma grande contribuição para o debate contando experiências do dia a dia”, afirma Alecir.

Quem também achou o evento bastante positivo foi a bancária do Banco do Brasil Marcela Pimenta de Oliveira. “O seminário faz a gente refletir sobre ações cotidianas que a gente coloca em prática sem perceber o quanto estamos sendo machistas e racistas”, diz Marcela. Durante o seminário foram realizadas intervenções do Levante Popular da Juventude, grupo de jovens que atua junto a movimentos do campo e da cidade para construir e fortalecer a luta popular.

Mulher 24 Horas

Além de debater a questão da linguagem, o seminário também está em clima de comemoração. Afinal, em 2013 o jornal Mulher 24 Horas comemora 20 anos de circulação. “Esse informativo tem como público alvo a mulher, mas procura dialogar com todo e qualquer ser humano. Por meio dele, atingimos não somente a bancária e o bancário, mas também os membros de sua família, como esposa, esposo, filhos e filhas”, afirma Lucimar.

A sindicalista defende a maior participação feminina no movimento sindical. “Há dificuldade de encontrar mulheres que queiram se tornar sindicalistas em virtude do acúmulo de funções, da tripla jornada, pois a mulher é trabalhadora, mãe e ainda cuida sozinha da casa. Temos que mudar essa realidade e, inclusive, não resumir nossas reivindicações a cláusulas econômicas. Devemos incluir a luta contra a opressão vivida pela mulher. Inclusive, creio que é importante termos uma linguagem não sexista em todos os meios de comunicação do Sindicato. O feminismo é um projeto de sociedade e não deve estar presente somente no Mulher 24 Horas, mas também nos outros materiais, como o Correio Bancário, folderes, entre outros”, diz Lucimar.

 

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