Setor bancário extinguiu 9.104 postos de trabalho de janeiro a agosto de 2016

O número de postos de trabalho extintos representa um aumento de 51,7% em relação ao mesmo período do ano passado

Foi divulgada na segunda-feira, 26, pela Contraf, a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB). O estudo mostra que no período de janeiro a agosto de 2016 foram fechados 9.104 postos de trabalho bancário no Brasil. Esse total representa um aumento de 51,7% em relação ao mesmo período no ano passado, quando foram extintos 6.003 postos de trabalho. A quantidade de postos de trabalho fechados de janeiro a agosto de 2016 chega perto da de todo o ano de 2015, que foi 9.886.

“Demitindo milhares de bancários todos os anos, os banqueiros não somente precarizam as condições de trabalho, pois os bancários passam a ter uma demanda grande a ser atendida por um número reduzido de funcionários, como também precarizam o atendimento, já que os clientes passam a ficar muito tempo esperando na fila, por exemplo. Além disso, enquanto diminuem cada vez mais a quantidade de bancários, os banqueiros aumentam a de correspondentes. Assim, lucram ainda mais, pois os correspondentes têm uma carga horária maior, não têm os mesmos benefícios que os bancários e recebem salário inferior”, diz o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire.

A maioria dos desligados foram trabalhadores mais velhos e com mais tempo no emprego. A análise por setor de atividade econômica mostra que grandes instituições como Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil foram os principais responsáveis pelo saldo negativo. Eles fecharam 7.150 postos de trabalho (78,5% do total de postos fechados). A Caixa Econômica Federal foi responsável pelo corte de 1.961 postos de trabalho (21,5%).

“A pesquisa aponta uma política de redução de empregos não somente na Caixa, mas em todos os bancos. Na Caixa, especificamente, essa redução está sendo feita de forma velada. O enxugamento do quadro de trabalhadores aponta um claro caminho para a privatização. E junto com isso vêm outras medidas administrativas, como a extinção de funções, por exemplo, as de caixa e tesoureiro”, afirma a coordenadora do Sindibancários, Lizandre Borges.

Lizandre, que coordena a pasta de saúde da entidade, destaca que a sobrecarga de trabalho causada pela redução de postos de trabalho tem causado danos à saúde dos bancários.

“Aumenta cada vez mais na categoria os casos de doenças psíquicas, como depressão e síndrome do pânico, além do stress e Dort/Ler”, diz.

Desigualdade entre homens e mulheres

As 7.190 mulheres admitidas nos bancos nos primeiros oito meses de 2016 receberam, em média, R$ 3.075,53. Esse valor correspondeu a 71,3% da remuneração média auferida pelos 7.202 homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 4.314,60.

No momento do desligamento observou-se a mesma diferença na remuneração entre homens e mulheres. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos no período recebiam R$ 5.328,66, o que representou 71,3% da remuneração média dos homens desligados dos bancos.

“No trabalho bancário as mulheres não têm a mesma oportunidade de alcançar os cargos de maior remuneração, apesar de terem qualificação para isso. Isso é reflexo da ideia machista de que somente aos homens cabe ocupar os espaços de poder”, diz a coordenadora do Sindibancários e do Coletivo de Mulheres da entidade, Evelyn Flores.

Faixa Etária

Os bancários admitidos concentraram-se na faixa etária de 18 a 24 anos, com isso o saldo de emprego nessa faixa foi positivo em 3.286 postos. Como demonstra a Tabela 3, os desligamentos se concentraram nas faixas etárias superiores a 25 anos de idade e, especialmente, na de 50 a 64 anos, que registrou um corte de 5.461 postos de trabalho (60% do total de postos fechados).

Tempo no Emprego

Entre os 23.496 desligados, a maior parte tinha 10 ou mais anos no emprego (8.475 cortes que correspondem a 36% do total). Outros 5.055 tinham entre 5 e 10 anos no emprego (21,5%). Ou seja, observa-se que o corte dos postos nos bancos se deu principalmente entre aqueles com maior tempo de casa, sendo compatível com o fato de serem os trabalhadores mais velhos.

Imprima
Imprimir