Sindibancários/ES: 82 anos construindo a história dos bancários e dos trabalhadores capixabas

No dia 12 de janeiro o Sindibancários/ES completa 82 anos e comemora décadas de uma história de luta e resistência dos trabalhadores bancários capixabas. Com a participação e união da categoria, o Sindibancários sempre atuou em defesa de salários dignos, valorização profissional, melhores condições de trabalho e de vida.  Ao lado de outras entidades sindicais […]

No dia 12 de janeiro o Sindibancários/ES completa 82 anos e comemora décadas de uma história de luta e resistência dos trabalhadores bancários capixabas. Com a participação e união da categoria, o Sindibancários sempre atuou em defesa de salários dignos, valorização profissional, melhores condições de trabalho e de vida.

 Ao lado de outras entidades sindicais e movimentos sociais, o Sindicato também foi protagonista na luta por respeito aos direitos de todos os povos e pela superação da desigualdade social e econômica. 

O Sindibancários/ES também participou das manifestações populares em 1992pelo afastamento do então presidente da República, Fernando Collor de Melo. Com o slogan “Pede a Conta Collor” e personagens caracterizados de PC e Collor, bancários e bancárias foram às ruas pelo impeachment, que foi aprovado mesmo após a renúncia de Collor, em dezembro de 1992.     

 Pede a Conta Collor   COLLOR 1  IMPEACHEMENT

Em 1987, os bancários também foram às ruas na Greve Geral por melhores salários, empregos e cidadania. Em 2013, a categoria voltou às ruas em nova Greve Geral em defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade. 

Greve geral 1987   Greve geral 11 de julho  SC  2977

 Em 18 de outubro de 1996, a direção do Banestes demitiu 700 funcionários do banco. A política era de enxugamento da instituição. Na segunda-feira seguinte, uma grande marcha tomou conta do Centro de Vitória. Um fundo financeiro para os demitidos foi criado no Estado. 

700 FAMÍLIAS           

Também é marca do Sindibancários/ES a defesa da manutenção e fortalecimento dos bancos públicos, em especial do Banestes e do Bandes, genuinamente capixabas. Ao longo desses 82 anos, foram inúmeras as tentativas de privatização do Banestes, como em 2002, no Governo de José Ignácio, e em 2009, no segundo mandato de Paulo Hartung. Com muita garra e união dos bancários e com o apoio da sociedade capixaba, foram vencidas muitas tentativas de privatização e o Banestes segue sendo público e estadual. 

AGENDABB-SÉRGIO CARDOSO - 26-08-96    Foto 5 - Samuel Vieira  SC  3430

Protesto na antiga Ales                                Marcha dos 6 mil em Camburi

Em agosto de 1996, os banestianos ocuparam a frente da antiga sede da Assembleia Legislativa em mais um ato em defesa do Banestes Público Estadual. E em 2002, foi realizada a marcha dos 6 mil na Praia de Camburi em protesto contra a PEC 37/2002, do Governo de José Ignácio, que autorizava o leilão do Banestes. 

 Comitê em DEfesa do Banestes cortada     SC  3433     Plebiscito Banestes- 600

O Sindibancários/ES liderou a criação do Comitê em Defesa do Banestes, em 1991, envolvendo vários setores da população capixaba. E em 2009, com o anúncio do governador Paulo Hartung da proposta de venda do Banestes para o Banco do Brasil, o Comitê, coordenado pelo Sindibancários/ES organizou um plesbicito popular, em que mais de 91% dos capixabas disseram “não” à venda do banco. 

Com o anúncio da abertura de venda de ações da Caixa, em dezembro de 2014, os bancários se mobilizaram e conseguiram barrar o processo. Em 2015, a luta em defesa da Caixa 100% pública foi uma das principais bandeiras da categoria. Mas a ameaça de privatização do banco ainda existe, por isso a mobilização contra mais essa medida neoliberal do governo Dilma continua. 

Ato Caixa 750

Conquistas

Greves, paralisações e ações sindicais foram alguns dos instrumentos utilizados pelos bancários para garantir os direitos da categoria. Em 1986, por exemplo, os bancários conseguiram garantir o auxílio-creche em uma greve nacional que parou 500 mil bancários e foi duramente reprimida pelo Governo José Sarney.

1985  Capa Correio 30 anos  Foto box

Em 1985, no dia 30 de outubro, os bancários da Caixa entraram em greve durante 24 horas e conquistaram o reconhecimento como bancários e a jornada de trabalho de seis horas. A primeira greve exclusiva dos bancários do Banestes aconteceu em 1987 e resultou em um aumento de 20% nos salários.

Greve de 1987 - assembleia geralAssembleia Geral dos bancários durante Campanha Salarial em março de 1987. 

Mais tarde, em 1990, com a posse do presidente Fernando Collor, tem início as privatizações e o estímulo ao “ajuste” nos bancos, o que se traduz em demissões em massa e terceirizações, gerando muitos protestos por parte dos bancários. Nesse ano, foi conquistado o tíquete-refeição após uma greve nacional de 13 dias que teve como lema “Esta Primavera Tem que Ser Nossa”, que se contrapunha à campanha dos patrões que previam um “setembro negro” com paralisações violentas.  

COLLOR 2

                                                                                                Protesto dos bancários contra as privatizações no governo de Collor. 

Já a garantia da unificação nacional dos pisos salariais veio após uma greve de três dias, em 1991. No ano seguinte, foi assinada a primeira Convenção Coletiva, que garantiu direitos iguais em todo o território nacional, num primeiro momento valendo para bancos privados e estaduais.

CORREIO BANCÁRIO 80 ANOS - 04 - CS4-3

Em 1996, a greve da categoria levou à conquista de 10,8% de reajuste salarial. Mas nos bancos públicos foi arrocho salarial, com reajuste zero. Em 1996 também aconteceu uma das maiores greves gerais (foto acima).  Foi no dia 21 de junho quando 12 milhões de trabalhadores aderiram à paralisação contra o desemprego, por melhores salários, por reforma agrária, contra as reformas neoliberais na Previdência e por uma aposentadoria digna.  

No primeiro Acordo Coletivo dos anos 2000, a categoria conseguiu a inclusão da cláusula sobre igualdade de oportunidades na Convenção Coletiva. Em 2003, os bancários de bancos públicos conquistaram a mesma PLR dos bancos privados, após mobilização e greve da categoria. Na Campanha Salarial de 2012, os bancários conquistaram uma importante cláusula no eixo sobre saúde: o trabalhador que aguarda o recebimento do benefício do INSS passou a ter sua remuneração mantida pelo banco, garantindo a assistência necessária em um período em que o bancário mais necessita. 

Em 2013, os bancários e bancárias conquistaram abono assiduidade de um dia, vale cultura e proibição de envio de mensagem por celular para cobrar resultado. E no ano de 2015, os bancários protagonizaram uma das maiores greves da categoria. Eles cruzaram os braços durante 21 dias e foi essa forte mobilização que impediu o arrocho salarial que os bancos e governos queriam impor, com índice de reajuste abaixo da inflação. 

net   P9240025   Assembleia - 01.10 - 750

Campanha Salarial 2012.                               Greve de 2013                                       Assembleia de aprovação da greve em 2015

Desafios

Hoje, o Sindicato representa mais de 9 mil bancários e bancárias na ativa e aposentados. A diretoria do Sindicato é comprometida em manter viva a essência de luta dos trabalhadores pelos seus direitos e por uma sociedade mais justa. Dentre os compromissos da atual gestão estão o de lutar contra o PL a terceirização e o PL 4330 (PLS 30), em defesa dos bancos públicos, pelo fim das demissões, por melhores condições de trabalho, saúde e igualdade de oportunidades. Mas a conjuntura impõe desafios. E é sobre isso que o coordenador geral do Sindicato, Jessé Alvarenga, fala em entrevista especial.

Confira o vídeo sobre os 82 anos do Sindibancários/ES. 

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