Sindibancários/ES faz ações sindicais de mobilização para Campanha Nacional da categoria

Na luta por melhores condições de trabalho, bancários e bancárias estão em Campanha Nacional para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho e garantir novos direitos. Com o objetivo de mobilizar a categoria e informar a população sobre a pauta de reivindicações, o Sindicato dos Bancários/ES percorreu, nesta quarta-feira, 03, as unidades do Centro de Vitória, […]

Na luta por melhores condições de trabalho, bancários e bancárias estão em Campanha Nacional para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho e garantir novos direitos. Com o objetivo de mobilizar a categoria e informar a população sobre a pauta de reivindicações, o Sindicato dos Bancários/ES percorreu, nesta quarta-feira, 03, as unidades do Centro de Vitória, Reta da Penha e Laranjeiras. Amanhã, 04, as ações sindicais acontecem no Centro de Vila Velha, na Glória e na Avenida Expedito Garcia, em Campo Grande, Cariacica.

A terceira rodada de negociação entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) começa hoje com a pauta de emprego, que inclui fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas, aumento da inclusão bancária e combate às terceirizações. Foram discutidas nas rodadas anteriores as cláusulas de saúde e condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades, mas até o momento nada foi aceito pelos banqueiros. Caso não haja avanços nas negociações, a possibilidade de greve da categoria não está descartada.

“A Fenaban se mantém intransigente, se recusa a debater as propostas e adia negociações importantes. O que vai garantir novas conquistas será a mobilização e a pressão da categoria”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador geral do Sindicato/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários.

Para o bancário do Banestes Palas Center, José Luiz de Souza Neto, é preciso fortalecer a Campanha para conquistar salários melhores e melhores condições de trabalho. “A minha expectativa é que as negociações tragam resultados positivos acerca dos salários e dos nossos benefícios. Além disso, é importante avançar nas questões relacionadas ao bem estar dos bancários. As ações sindicais são importantes para que a população entenda os motivos da nossa Campanha e de uma possível greve da categoria”, disse.

Reivindicações

Muito além das questões salariais, as reivindicações dos bancários incluem o fim das metas, do assédio moral, mais segurança nas agências, fim das demissões e igualdade de oportunidades. Enquanto o lucro dos bancos cresce de forma acelerada, bancários são obrigados a conviver com acúmulo de funções, salários defasados e o adoecimento devido à pressão física e psicológica.

“Esperamos que os banqueiros se convençam sobre o quanto os bancários são explorados. Somos obrigados a alcançar metas inatingíveis, que os banqueiros acreditam serem factíveis, mas que chegam a ser surreais e causam o adoecimento da categoria. Sou prova disso porque estou na base e vejo isso diariamente”, frisou o bancário do Santander e diretor de base do Sindibancários/ES, Willian Rodrigues de Oliveira.

Os clientes também sofrem com a precarização do trabalho bancário, amargando longas filas, taxas de serviços e juros altíssimos e agências sem estrutura de atendimento.

“Estou no banco há uns 30 minutos aguardando atendimento. Quem sofre somos nós. A luta dos bancários é boa e tem que ser feita. É importante lutar para melhorar o lado do público e também o salário dos bancários. As taxas estão subindo e o juros são cada vez mais altos”, disse o aposentado Hélio Luiz Breda, durante as ações sindicais.

Por isso, a Campanha Nacional dos bancários é uma luta de toda a sociedade. A categoria reivindica também a redução das taxas de juros e a ampliação do horário de atendimento nos bancos, com contratação de mais bancários e respeito à jornada de seis horas de trabalho, bem como o cumprimento do papel social dos bancos.

Durante as ações, os clientes declararam apoio à Campanha Nacional. “As filas nos bancos são muito longas e pagamos taxas muito altas. Com certeza apoio a Campanha dos bancários, pois se as reivindicações forem atendidas será melhor para nós também”, disse o metalúrgico Alexandre de Oliveira.

Para Juliene Candeia dos Santos, as filas e os juros são os que mais prejudicam a população. “O que irrita muito a gente são as filas nos bancos. O atendimento demora demais. Os juros cobrados nos cartões e no cheque especial também são abusivos. Apoio a Campanha dos bancários porque vai trazer melhorias e benefícios para a população”, frisou.

Lucro dos bancos

Os brasileiros pagam as mais altas taxas de juros do mundo. Em 2013, os seis maiores bancos que atuam no Brasil (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú, HSBC e Santander) apresentaram lucro líquido de R$ 56,7 bilhões. Os mesmo bancos faturaram R$96,4 bilhões com cobrança de tarifas e prestação de serviços. Com lucros exorbitantes, não há justificativa para os bancos não atenderem as reivindicações da categoria.

Para conquistar mais direitos, será preciso ampliar a mobilização da categoria. “Para a Campanha ser um sucesso é preciso que todos os bancários tenham consciência da importância de participar e se envolvam na Campanha, principalmente os técnicos bancários que são os mais prejudicados. Eles correm atrás de uma função de confiança e quando conseguem acham que o salário está bom. Mas é apenas uma função, e não o salário real”, declarou uma bancária da Caixa que preferiu não se identificar.

Terceirização

O fim das terceirizações também é uma das principais bandeiras de luta dos bancários. De março de 2011 a março deste ano, foram fechados 34.466 postos de trabalho nos principais bancos. O resultado mais visível da terceirização é o correspondente bancário.

No entanto, sem oferecer nenhuma segurança, os correspondentes bancários colocam em risco a vida de empregados e clientes. Além disso, esses empregados desempenham as funções dos bancários, mas não têm os mesmos direitos garantidos no Acordo Coletivo de Trabalho e lucram à custa da exploração dos trabalhadores.

A categoria luta também contra as tentativas de regulamentação da terceirização que correm no legislativo federal, como PL 4330, na Câmara, e o PLS 87/10, no Senado, que liberam a terceirização em todas as instâncias,inclusive para as atividades-fim – atividades principais das empresas que, pela legislação atual, não podem ser terceirizadas. O debate vem sendo feito também no Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma ação da empresa Cenibra que questiona o que é atividade meio e atividade fim, colocando em risco a seguridade do emprego de milhares de trabalhadores.

Principais reivindicações da Campanha Nacional

• Reajuste salarial de 12,5%.
• PLR: três salários mais R$ 6.247.
• Piso: R$ 2.979,25 (salário mínimo do Dieese em valores de junho).
• Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
• Melhores condições de trabalho, com o fim das metas e do assédio moral que adoecem os bancários.
• Emprego: fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PL 4330 na Câmara Federal, do PLS 087 no Senado e do julgamento de Recurso Extraordinário com Repercussão Geral no STF.
• Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
• Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.
• Prevenção contra assaltos e sequestros: cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências; e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
• Igualdade de oportunidades para todos, colocando fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência.

Principais reivindicações dos bancários do Banestes

• Aumento de seis dias de abono assiduidade.
• Função gratificada para os funcionários que trabalham com fechamento contábil.
• Aumento percentual da contribuição do patrocinador de 7% para 15% para a Fundação Banestes.
• Reposição das perdas acumuladas desde 1994.
• Revisão da forma de contribuição à Banescaixa, com maior aporte de recurso pelo banco e adoção de critérios objetivos nas seleções internas do Banco.

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