Sindibancários/ES percorre agências do Centro de Vitória convocando bancários para Campanha Nacional

Nesta quarta-feira, 16, último dia da rodada de negociação com a Fenaban, a diretoria do Sindicato dos Bancários/ES percorreu as agências do Centro de Vitória mobilizando a categoria para uma possível greve durante a Campanha Nacional. Na ação, o Sindicato destacou a necessidade de ampliar a mobilização dos bancários, uma vez que, até o momento, […]

Nesta quarta-feira, 16, último dia da rodada de negociação com a Fenaban, a diretoria do Sindicato dos Bancários/ES percorreu as agências do Centro de Vitória mobilizando a categoria para uma possível greve durante a Campanha Nacional. Na ação, o Sindicato destacou a necessidade de ampliar a mobilização dos bancários, uma vez que, até o momento, não há avanços nas negociações da mesa única ou das mesas específicas dos bancos públicos federais.

Os bancários também criticaram o arrocho salarial e as medidas econômicas que vêm sendo implementadas pelo governo federal e estadual, que beneficiam os megaempresários e banqueiros e jogam nas costas dos trabalhadores as conseqüências da crise.

O diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), destacou que a crise não é argumento para não atender as reivindicações da categoria. “A rodada de negociação de hoje trata da parte econômica, de questões como reajuste e PLR. Temos que ficar atentos, pois os banqueiros não podem usar a crise para negar nossas reivindicações. Não há crise para os banqueiros, prova disso são os altos lucros dos bancos”, afirma Carlão.

Os bancos Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil fecharam o primeiro semestre do ano com lucro líquido de R$ 11,71 bi, R$ 8,778 bi, R$ 4,565 bi, e R$ 8,826 bi, respectivamente. Na Caixa, o lucro do primeiro trimestre de 2015 foi de R$ 1,5 bilhão, e no Banestes, de R$ 38,78 milhões.

Carlão salientou também que a classe trabalhadora sofre um dos piores momentos dos últimos 30 anos. “É um momento de arrocho, e é o povo quem está pagando a conta da crise. O governo Dilma (PT) anunciou medidas descabidas como reajuste zero para o funcionalismo público federal, suspensão de concurso público e retorno da CPMF. A volta desse imposto, segundo o governo, é para arrecadar recurso para a previdência. Mas, na verdade, esse dinheiro vai para o pagamento da dívida pública, beneficiando os banqueiros que, inclusive, elogiaram as medidas do governo. Se os banqueiros elogiam, nós trabalhadores devemos desconfiar”, diz.

O também diretor do Sindicato, Ricardo Néspoli, enfatizou os desmandos do governo Paulo Hartung (PMDB). “O governo estadual já cortou orçamento em áreas como saúde e educação. Os banestianos precisam lembrar que durante os oito anos do governo Hartung não houve negociação, não havia avanços. Essa é a primeira negociação que fazemos no mandato que se iniciou este ano. Devemos ficar de olho e unidos para alcançar conquistas, afinal, nossa realidade é de cada vez mais trabalho, enquanto o banco bate recorde de lucro”, destaca o diretor.

Durante a Ação Sindical, os caititus, mascotes da Campanha Salarial deste ano, entraram em cena por meio de uma esquete teatral. Para enfrentar o banqueiros, simbolizado pela onça, eles tiveram que se unir e combater o assédio moral e as péssimas condições de trabalho que adoecem a categoria. “Temos que enfrentar essa onça que são os banqueiros. Vamos construir uma grande greve nacional, que pressione os banqueiros e conquiste valorização e condições dignas de trabalho. Participem das assembleias, deem corpo à Campanha Salarial com muita luta e muita garra”, convoca a diretora do Sindibancários/ES, Lucimar Barbosa.

Negociações

A quarta rodada de negociação com a Fenaban teve início ontem, 15, e termina nesta quarta-feira, 16. Em pauta estão as reivindicações de remuneração, como reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real), PLR de três salários mais R$7.246,82 e piso de R$3.299,66. Nas rodadas anteriores foram discutidas as cláusulas de segurança, saúde e condições de trabalho, emprego e igualdade de oportunidades, mas não houve proposta concreta para a categoria. Saiba mais sobre as rodadas anteriores.

Reivindicações da Campanha Nacional 2015

  • Reajuste de 16% (inflação mais 5,7%)
  • PLR: 3 salários mais R$7.246,82
  • Piso do Diesse: R$3.299,66 (junho/2015)
  • Tíquete-alimentação e refeição, 13ª cesta e auxílio–creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
  • Fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
  • Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
  • Auxílio-educação para graduação e pós.
  • Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral.
  • Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontosde serviços bancários, conforme legislação.
  • Instalação de portas giratórias com detector de metais no autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
  • Fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
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