Sindibancários/ES 84 anos: lutas de ontem e de hoje

Nesta sexta-feira, 12, o Sindibancários/ES comemora 84 anos! O coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, resgata, durante entrevista, os fatos marcantes dessa história de luta e resistência, e fala, ainda, sobre os desafios atuais para os trabalhadores

Foi em 12 de janeiro de 1934 que bancários e bancárias capixabas assinaram a ata de fundação do Sindicato da categoria no Espírito Santo e começaram oficialmente a escrever a história da entidade. As páginas dessa trajetória são recheadas de muita luta e resistência, presentes nas longas greves da categoria, manifestações em defesa da classe da trabalhadora e nos atos de enfrentamento aos ataques aos direitos trabalhistas.

Ata de fundação do Sindicato

Nesta sexta-feira, 12, a entidade completa 84 anos e o momento é de resgatar os fatos marcantes dessa história sempre com olhar no presente, que impõe desafios à garantia dos direitos conquistados pelos trabalhadores.  Em entrevista, o coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, é quem avalia o caminho percorrido pela entidade e aponta o cenário desafiador que está posto para os trabalhadores. Confira!

Você acompanhou o Sindicato a partir dos anos 80, quando ele passa de um perfil mais assistencialista para um mais combativo, com o novo sindicalismo. O que mais marca esse período?

Entrei para a categoria em 1987 e me lembro que o Sindicato já estava na linha de frente da luta pelo novo sindicalismo, que foi importante para retomar o Sindicato para a categoria bancária. Mas não era uma organização apenas corporativa, o Sindibancários ajudou na construção de outros sindicatos, sempre se preocupou em ser solidário com outros movimentos sociais, e isso contribuiu para o avanço dos direitos dos trabalhadores e para retomada da própria democracia no país, que saía de uma ditadura civil-militar.

De lá para cá o Sindicato manteve uma linha coerente; fez renovações na direção sem se desviar dos seus princípios classistas. O que permitiu isso?

A formação política foi fundamental, algo que a direção do Sindicato sempre teve como prioridade. Isso contribuiu para manter o Sindicato alinhado na defesa dos direitos da categoria e da classe trabalhadora, com independência e autonomia. Estudar, fazer formação, compreender a luta política é fundamental para que a gente não se feche no corporativismo ou numa política de direitos restritos. A gente entende que é preciso lutar contra todas as opressões e pela superação do modelo capitalista. Com certeza um sindicato que tem uma melhor teoria tem uma prática melhor.

Quais os momentos mais difíceis dessa trajetória?

No fim dos anos 80 tivemos momentos muito difíceis. No Banestes, banco do qual sou funcionário, fizemos em 1989 uma greve acirrada, Tivemos os dias cortados, sofremos retaliações, mas a gente se manteve firme e recuperou as perdas. Em 1990, no mandato de Collor, sofremos uma forte política de repressão. Os bancos federais passavam por reestruturação e foi uma campanha salarial difícil, mas vitoriosa, a categoria estava unida.

Outro momento foi em 1999 e 2000, com o risco de privatização do Banestes no Governo José Ignácio. Apesar da dificuldade, foi uma das grandes vitórias da categoria na defesa do patrimônio público. No governo de Fernando Henrique tivemos muitas demissões e anos de reajuste zero, foi um desastre, principalmente para os bancos federais, cujo corpo funcional até hoje se divide entre os pré e os pós-98, que marca esse período de retirada de direitos. E, é claro, o momento atual, onde enfrentamos um desmonte da CLT, da Previdência e dos serviços públicos, a que tentamos resistir.

E os desafios atuais?

Hoje a gente enfrenta, de forma nova, talvez os mesmos desafios, que é a retirada de direitos. A reforma trabalhista e a terceirização atingem em cheio a categoria bancária, com ameaça reais às entidades sindicais. A campanha salarial 2018 já é uma preocupação para o movimento sindical, principalmente para o bancário. Não sabemos como será o direito de greve, por exemplo. Hoje qualquer paralisação gera interdito proibitório, já percebemos um aumento da repressão. A próxima campanha se dará sob uma legislação nova e mais frágil para os trabalhadores.

Nesse cenário, como fortalecer a luta e os próprios sindicatos?

Temos pela frente o desafio de convencer os trabalhadores da importância do coletivo, da sindicalização, de participar da luta, porque sozinho sabemos que é praticamente impossível resistir.

Falando um pouco mais do futuro, quais as perspectivas para 2018?

Que a gente consiga reverter a reforma da Previdência e que o acordo seja renovado sem aplicação da reforma trabalhista. E num ano eleitoral, é fundamental eleger partidos comprometidos com a classe trabalhadora. O discurso de que as reformas iam melhorar a economia, os direitos dos trabalhadores, caiu. Os que acreditaram nisso estão vendo as consequências, como o aumento do desemprego e da miséria. Os trabalhadores estão acordando e nossa expectativa é que consigamos fazer uma resistência com unidade, para enfrentar a reforma da Previdência e reconquistar os direitos retirados pela reforma trabalhista.

 

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