Um ano de agência digital na Caixa: não há motivos para comemorar

“Além de ser um prejuízo para a sociedade, pois a Caixa deixa de cumprir o seu papel social, as agências digital representam um desemprego estrutural. Uma agência digital é uma agência sem bancários”, afirma o diretor do Sindicato, Igor Bongiovani.

Nesta semana, a primeira agência digital da Caixa, localizada em Goiânia (GO), completou um ano de funcionamento. Para o Sindibancários, não há motivo para comemorar esse projeto tecnológico da Caixa de implementar agências digitais em todo o país. Atualmente, a Caixa possui cinco agências digitais, vinculadas às superintendências regionais Sul de Goiás, Campinas, Ipiranga, Rio de Janeiro e Brasília Norte.

“Além de ser um prejuízo para a sociedade, pois a Caixa deixa de cumprir o seu papel social, as agências digital representam um desemprego estrutural. Uma agência digital é uma agência sem bancários”, afirma o diretor do Sindicato, Igor Bongiovani. Ele afirma que é preciso compreender que as agências digitais representam um alinhamento da Caixa ao mercado privado e financeiro para competir com outros bancos, como Bradesco e Itaú.

Em março deste ano, a Caixa divulgou o início do seu programa transformação digital com o lançamento de uma pesquisa que, de acordo com a instituição financeira, tem como objetivo mapear, entre os empregados, conhecimentos, habilidades e experiências ligadas ao universo digital, além de identificar a capacidade do banco de operar no contexto digital. A pesquisa foi enviada por e-mail aos bancários e bancárias e o Sindicato também se posicionou contrário a esse levantamento.

“Com a implantação do Banco Digital na Caixa e a migração cada vez maior das camadas populares para os correspondentes bancários, a tendência é as agências físicas, com o passar do tempo, ficarem focadas no atendimento a um público mais elitizado, como já acontece no Banco do Brasil por meio de agências como a Estilo e a Private”, aponta a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges.

Outros bancos

Em 2017, o Itaú ampliou sua rede de agências digitais. De setembro de 2015 a setembro deste ano, foram criadas 56 novas unidades desse modelo, que hoje já somam 130. Relatos de bancários que já trabalham em agências digitais denunciam o aumento da precarização do trabalho nessas unidades, com sobrecarga de trabalho, metas ainda mais elevadas e piora no atendimento à população.

No Banco do Brasil, o atendimento digital não é mostrado como uma alternativa para as camadas populares. “Já os clientes que fazem parte da elite podem optar pelo atendimento digital ou presencial em agências próprias para eles”, explica o diretor do Sindibancários, Thiago Duda.

 

 

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