Sindicato denuncia ao MPE impactos da reestruturação do BB

Na denúncia encaminhada ao Centro de Apoio Operacional da Defesa dos Direitos do Consumidor do Ministério Público Estadual, o Sindicato pede abertura de inquérito civil público sobre o desrespeito aos direitos do consumidor.

A agência Rio Branco é uma das que o BB quer fechar contra a vontade dos clientes, que organizaram, junto com o Sindicato, um café da manhã pela manutenção da unidade

O Sindicato dos Bancários encaminhou nesta quinta-feira, 2, ao Centro de Apoio Operacional da Defesa dos Direitos do Consumidor do Ministério Público Estadual o detalhamento da denúncia sobre o que a reestruturação do Banco do Brasil está causando à população do Espírito Santo. O pedido da entidade, já apresentado no documento inicial e reafirmado nessa segunda petição, é que o MPE abra inquérito civil público para investigação sobre o desrespeito aos direitos do consumidor e seus reflexos.

“O fechamento de agências, sem análise dos impactos sobre a vida dos usuários, configura-se em prática indireta de restrição dos direitos, considerando que o BB é um banco público, cuja atividade deve ser desenvolvida para atender, prioritariamente, o interesse social”, afirma o Sindicato.

No seu processo de reestruturação, a direção do Banco do Brasil impõe um corte de 60 postos de trabalho e de 130 comissões no Espírito Santo. O BB já transformou as agências Praia do Suá e Vale em unidades digitais e fechou a agência Moscoso, localizada no Centro de Vitória. Também pretende fechar a agência Rio Branco, na Praia do Canto, e transformar as agências Expedito Garcia, em Cariacica, e Jardim Limoeiro, na Serra, em postos de atendimento bancário.

A partir dessas mudanças, os clientes das agências fechadas estão sendo redirecionados para outras unidades, nem sempre tão perto, sem que haja a ampliação do quadro de funcionários, o que está ocasionando sobrecarga de trabalho e queda na qualidade do atendimento.

Outra iniciativa do banco é a unificação das três Plataformas de Suporte (PSO) que atendem aos municípios de Vitória, Vila Velha e Serra, com a ampliação da abrangência da unidade, acrescentando Viana e Cariacica. Ou seja: mais trabalho com a mesma quantidade de funcionários.

A reestruturação trouxe, ainda, um Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada. No Estado, 95 trabalhadores aderiram ao plano, muitos sem o tempo necessário para se aposentar pelo INSS. Nesse caso, o funcionário terá que continuar pagando suas contribuições e a do banco se quiser alcançar a aposentadoria integral. Com a reforma da Previdência em trâmite no Congresso Nacional, esse sonho pode se tornar um verdadeiro pesadelo.

No documento enviado ao MPE, o Sindicato lembra que na migração das agências físicas para o modelo digital os clientes não tiveram opção de escolha. E mais: nem todos utilizam o atendimento digital, o que indica que o novo modelo pode ser um problema para parte dos clientes e usuários.

O Sindicato também aponta os impactos da reestruturação para as localidades. A agência de Cariacica, por exemplo, tem hoje 450 contas de Pessoa Jurídica e 13.200 contas de pessoa física. Perderá três funcionários e ainda terá que absorver o atendimento da agência Expedito Garcia.

 

 

 

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