Sindicato denuncia aumento da pressão por metas e demissões no Bradesco

O excesso de audioconferências, a cobrança de metas via whatsapp; o aumento das demissões de funcionários incorporados ao banco e o problema das portas eletrônicas nas PAA'S foram alguns dos pontos apresentados pelo Sindibancários à gerência regional do banco.

Os diretores do Sindibancários/ES se reuniram com o novo gerente regional do Bradesco, Hebercley Magno dos Santos, para discutir as condições de trabalho nas unidades do banco. Eles cobraram a garantia do emprego e apontaram situações de intensificação de cobrança por resultados que podem configurar assédio moral. Os diretores Lindalva Firme, Fabrício Coelho e Pedro Luchi representaram o Sindicato, em reunião que aconteceu no dia 18 de agosto.

O Sindicado vem recebendo denúncias em relação ao número excessivo de  audioconferências, um instrumento de controle e cobrança na produtividade do banco.  Atualmente, estão ocorrendo até três audioconferências diárias para o estabelecimento e acompanhamento de metas, o que configura uma intensificação da cobrança por resultados, chegando a atrapalhar o trabalho, a própria produtividade e atendimento à população.

Hebercley explicou que as audioconferências fazem parte da estrutura de funcionamento do Bradesco e que serão mantidas, mas irá orientar os gestores a fazerem a cobrança de modo que não venha a configurar assédio moral.

O Sindicato também apontou a cobrança de metas via whatsapp como uma forma abusiva de controle da produtividade.

“Está garantida na Convenção Coletiva a não invasão da privacidade e de instrumentos particulares de bancários, como por exemplo o telefone e as redes sociais. Essa prática é grave e não admitimos que continue”, afirma Fabrício Coelho.

O gerente regional do Bradesco informou desconhecer a utilização de celulares para a cobrança de resultados e disse que irá averiguar se essa prática tem ocorrido nas unidades, por parte dos gestores.

Demissões

Os diretores do Sindibancários/ES também apontaram um aumento das homologações que estão sendo feitas no Sindicado, em sua maioria por funcionários incorporados ao Bradesco. As demissões estão ocorrendo desde a incorporação do HSBC, em junho de 2016, e muitas vezes levam em conta a média salarial dos empregados. A posição do Sindicato é de que não haja mais demissões.

“As agências têm cada vez menos funcionários e o atendimento à população é cada vez mais precário. A função principal do banco é atender a população, esse é o papel do sistema financeiro”, argumenta Fabrício.

O gerente regional do Bradesco respondeu que as demissões não consideram o salário dos funcionários, mas sua produtividade e o regime da meritocracia.

“A meritocracia é usada pelo capital para elevar a competição entre os funcionários e cria um clima ainda pior dentro das agências”, frisa Lindalva Lime, diretora do Sindibancários/ES. Para Fabrício Coelho, “não há como todos chegarem a gerentes regionais, por mais competentes que sejam, por conta da própria estrutura do banco. essa lógica só serve para elevar o lucro do Bradesco e aumentar a exploração dos empregados”.

Segurança

Outro ponto de pauta foi o problema das portas eletrônicas em determinadas agências do Bradesco.  A medida de segurança está prevista na lei estadual 5.229/96, que obriga a instalação de porta eletrônica individualizada nas agências e postos de serviços bancários que atendem ao público. Porém, o Bradesco insiste em manter Postos de Atendimento (PAA) que não contam com esse sistema de segurança. Ao todo, o banco possui 50 agências, sendo 48 de varejo e duas primes.

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