Sindicato dos Bancários publica resposta contra acusações feitas no Jornal A Gazeta

No último dia 5 de outubro o colunista de política do Jornal A Gazeta, Gabriel Tebaldi, publicou um artigo nomeado “Sujeira nos bancos”, no qual fez acusações graves à conduta dos diretores do Sindicato dos Bancários e questionou o direito de greve da categoria. O articulista sugeriu claramente que a diretoria do Sindicato utiliza para […]

No último dia 5 de outubro o colunista de política do Jornal A Gazeta, Gabriel Tebaldi, publicou um artigo nomeado “Sujeira nos bancos”, no qual fez acusações graves à conduta dos diretores do Sindicato dos Bancários e questionou o direito de greve da categoria.

O articulista sugeriu claramente que a diretoria do Sindicato utiliza para fins particulares os recursos arrecadados durante a Campanha Salarial e que estaria lucrando em seguir com uma greve prolongada. Tebaldi chegou a descrever a paralisação da categoria como “oportunista e demagógica” e “trampolim político e financeiro”.

Frente às acusações, é importante reafirmar que o Sindicato defende integralmente a democratização da comunicação e a liberdade de imprensa, mas entende que o artigo foi utilizado para criminalizar o movimento dos trabalhadores, além de faltar com a verdade, sem considerar os quase 80 anos de história da entidade. Por isso, hoje, 15 de outubro, foi publicado na coluna Opinião, de A Gazeta, o artigo intitulado “Greve, um Direito”, que se trata de uma resposta do Sindicato ao texto escrito por Gabriel Tebaldi.

O secretário de assuntos jurídicos do Sindicato dos Bancários/ES Idelmar Casagrande reforça a importância do direito de resposta ter sido publicado. “Não poderíamos deixar inúmeras acusações passarem despercebidas. Uma mensagem como a que foi transmitida, num jornal que circula em todo o Estado, é um ataque direto à classe trabalhadora organizada. Estamos no nosso direito de mobilização, greve e, inclusive, de resposta ao que foi dito. O Sindicato dos Bancários presa pela clareza e transparência e isso sempre foi deixado claro”.

Idelmar afirma ainda que os advogados do Sindicato estudam a possibilidade de que o autor do texto seja responsabilizado na justiça pelo que disse. “Uma pessoa não pode, simplesmente, publicar em uma coluna inverdades e ignorar a história e o papel que a categoria bancária possui. Se ele tiver que responder pelas acusações na justiça, isso será feito.”

Não é demais reforçar, como foi feito durante toda a Campanha Salarial, encerrada nesta semana, que a luta da categoria bancária é por direitos, por dignidade, contra a exploração de instituições financeiras, que, entre 2003 e 2012, viram a sua lucratividade crescer em mais de 450%, com base na exploração do trabalhador e dos clientes. Sem contar que os trabalhadores, quando iniciam uma greve, estão apoiados em uma prerrogativa legal. Não é uma rasa avaliação sem nenhuma pesquisa que pode descreditar essa luta.

Confira abaixo a íntegra da resposta do Sindicato dos Bancários/ES, publicada nesta terça-feira, no Jornal A Gazeta:

Greve, um direito

No dia 5 de outubro, o estudante de História Gabriel Tebaldi, autor da coluna “Outro Olhar”, dedicou seu artigo à greve dos trabalhadores bancários. No texto, Gabriel fez graves acusações contra a categoria bancária e seus dirigentes sindicais, afirmando que a diretoria do Sindicato utiliza para fins particulares recursos arrecadados durante a campanha salarial. Tebaldi define a greve dos bancários como “oportunista e demagógica”, e como “trampolim político e financeiro” para atender aos propósitos dos sindicalistas, alegando que quanto maior a sua duração, maior a arrecadação do Sindicato.

Gabriel, apesar de se dedicar ao estudo da História, parece ignorar o respeito à sociedade, bem como o compromisso e responsabilidade que o Sindicato dos Bancários/ES mantém com a categoria ao longo dos seus quase 80 anos de existência. Cabe esclarecer, primeiro, que a liberação sindical não garante nenhum tipo de benefício remuneratório, ou de outra ordem, aos diretores da entidade, que recebem diretamente pelo banco com o qual mantêm o vínculo empregatício.

O posicionamento do colunista não busca atingir somente a categoria bancária, mas aquilo que ela representa: a luta organizada dos trabalhadores. Apesar de ter 20 anos, o autor faz coro com a velha prática ditatorial do passado, que, infelizmente, continua presente por meio da criminalização dos movimentos sociais organizados. O ataque ao Sindicato dos Bancários representa um ataque ao ideal de um projeto contra-hegemônico e popular para a sociedade, contrário ao modelo opressor e excludente que temos hoje.

O Sindicato dos Bancários defende integralmente a democratização da comunicação, a liberdade de imprensa e a livre manifestação do pensamento, contudo, esse instrumento não pode ser utilizado para criminalizar qualquer tipo de movimento que busque a ampliação de direitos e a promoção da igualdade.

A greve é um direito constitucional conquistado pelos trabalhadores ao longo da história. Portanto, não pode ser tratada como uma ação criminosa, nem podem os seus dirigentes ser criticados pelo cumprimento daquilo que lhes é prerrogativa legal: a defesa dos direitos da categoria que representa. A greve dos bancários é legítima, assim como é a organização dos trabalhadores das demais categorias assalariadas, dos estudantes, dos movimentos populares e movimentos sociais do campo e da cidade, que buscam, com a sua luta, mudanças positivas para a coletividade.

Na íntegra o artigo de Gabriel Tebaldi

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