Organizações lançam Núcleo Capixaba da Auditoria da Dívida

Dirigentes sindicais, professores, estudantes e líderes de movimentos sociais participaram nesta terça-feira,01, do seminário “A Corrupção e o Sistema da Dívida”, realizado no teatro do Ifes, em Vitória. O evento marcou o lançamento do Núcleo Capixaba da Auditoria Cidadã da Dívida e contou com a participação da coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli, […]

Dirigentes sindicais, professores, estudantes e líderes de movimentos sociais participaram nesta terça-feira,01, do seminário “A Corrupção e o Sistema da Dívida”, realizado no teatro do Ifes, em Vitória. O evento marcou o lançamento do Núcleo Capixaba da Auditoria Cidadã da Dívida e contou com a participação da coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli, que fez duras críticas à atual política monetária do Governo Federal. 

Durante a manhã, Maria Lúcia falou sobre como a dívida pública brasileira compromete o investimento em serviços públicos, como nas áreas da educação, saúde, infraestrutura e saneamento básico. Somente nos noves primeiros meses deste ano, essa dívida cresceu R$ 600 bilhões. Para Maria Lúcia, que também é Auditora Fiscal, o sistema da dívida beneficia somente o sistema financeiro privado.

“Apesar de toda crise econômica que atinge diversos setores do paíse e do processo de desindustrialização em alta, o capital avança e os bancos continuam obtendo altos lucros. Isso porque é evidente que está ocorrendo a transferência de recursos públicos para o setor financeiro privado; e a engrenagem que faz essa transferência é o sistema da dívida”, destaca.

A realização de uma auditoria pública da dívida brasileira é fundamental para romper com esse sistema de endividamento. Segundo Maria Lúcia, o atual ciclo da dívida teve início na década de 70 e não há contratos para a maioria dos títulos. Somente com a auditoria da dívida seria possível responder a perguntas como “Que dívida é essa?”, “Quanto realmente o Brasil pegou emprestado?”, “Quem se beneficiou” e  “Quem são os credores?”.

“Não sabemos nem quem são os detentores desses títulos, pois o Banco Central divulga apenas os números globais, onde os bancos aparecem como detentores de 50% dos títulos. A auditoria está prevista na Constituição Federal e precisamos denunciar que o Congresso Nacional se omite. O Tribunal de Contas da União, somente após inúmeras denúncias, fez neste ano um relatório no qual enumerou trinta irregularidades e sugeriu a auditoria. Precisamos reivindicar que ela aconteça e com a participação cidadã. Os primeiros passos para isso são conhecimento da realidade mobilização social consciente, para que possamos desmascarar o sistema da dívida”, enfatiza Maria Lúcia.

Dívida do Espírito Santo

A dívida interna do Espírito Santo chegou a quase R$ 5 bilhões em 2015 e, segundo Maria Lúcia, o sistema é o mesmo. Com a criação do Núcleo Capixaba da Auditoria Cidadã da Dívida será investigada a origem dessa dívida, quem são os credores e o real valor devido. O Núcleo conta com a participação do Sindibancários/ES.

“Se queremos saúde pública e educação de qualidade, precisamos fazer a auditoria dessas dívidas estadual e federal. Nos comprometemos  a aprofundar esse debate aqui no Estado, para que a classe trabalhadora possa fazer as mudanças necessárias”, destacou o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).  

Acesse o site da Auditoria Cidadã da Dívida e saiba mais sobre o maior esquema de corrupção “legalizada” do Brasil.

Curso

Estão abertas, até dia 18 de dezembro, as inscrições para a 3ª turma do Curso da Auditoria Cidadã da Dívida. O curso será realizado à distância e tem como objetivo capacitar multiplicadores para a utilização da ferramenta da auditoria para a mobilização social, incentivando a propagação dos trabalhos da Auditoria Cidadã.

Faça aqui sua inscrição.

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