SMS enviado pela Caixa pode estimular assédio moral

A Caixa Econômica está estimulando uma iniciativa que pode se tornar mais um instrumento de assédio moral. Trata-se do envio de SMS para os funcionários. Em um e-mail encaminhado para a caixa postal dos trabalhadores, a instituição financeira explica passo a passo como fazer para manter o número do celular atualizado no SISRH – Autoatendimento […]

A Caixa Econômica está estimulando uma iniciativa que pode se tornar mais um instrumento de assédio moral. Trata-se do envio de SMS para os funcionários. Em um e-mail encaminhado para a caixa postal dos trabalhadores, a instituição financeira explica passo a passo como fazer para manter o número do celular atualizado no SISRH – Autoatendimento e pede que o empregado autorize o recebimento de SMS. 

O Sindicato dos Bancários questiona essa iniciativa e orienta que os bancários não autorizem o recebimento das mensagens de celular. “O trabalhador poderá receber a qualquer hora do dia mensagens encaminhadas pelo banco sobre cobranças de metas, por exemplo. Portanto, aconselhamos os servidores a não autorizar o envio de SMS, pois é um instrumento perigoso, que pode ser mais um meio para a prática do assédio moral”, explica a diretora do Sindibancários, Lizandre Souza Borges.

Rita Lima, também diretora do Sindicato/ES, destaca que a medida pode representar também mais uma forma de intensificação do trabalho. “A liberação do envio de sms significa, simbolicamente, que o empregado está a disposição da empresa, e ele pode receber mensagens a qualquer tempo com cobranças, avisos, convocações etc, mantendo o trabalhador vinculado constantemente à empresa, independente do seu horário de trabalho”.

Caixa pratica assédio moral coletivo com exposição de penalidades disciplinares

Neste mesmo e-mail a Caixa toma uma atitude que, para o Sindicato, é uma forma de intimidar os trabalhadores. O banco enviou para seus funcionários o quantitativo de penalidades disciplinares aplicadas no 1º trimestre de 2013, detalhando o número de advertências, suspensões e rescisões nos meses de janeiro, fevereiro e março. Na mesma mensagem o banco disponibiliza um link no qual constam as principais causas que culminaram em rescisão de contrato de trabalho.

“Quando a Caixa toma esse tipo de atitude ela tem como objetivo utilizar os casos expostos como exemplo para que os trabalhadores se sintam intimidados e passem a temer futuras penalidades”, explica a diretora do Sindibancários, Rita Lima.

“Parece que voltamos à época dos suplícios públicos da idade média, quando pessoas eram castigadas e torturadas como forma de exemplo, para manutenção do domínio do Estado e da ordem pública. A prática da Caixa é retrógrada e vergonhosa. É inadmissível que um banco público, que figura entre os maiores bancos do País, adote tal postura com seus trabalhadores. É uma prática clara de assédio moral coletivo”, acrescenta Rita.

O Sindicato pede aos bancários que não se intimidem diante dos abusos cometidos pelo banco e denunciem ao Sindicato para que sejam tomadas as medidas políticas e jurídicas cabíveis.

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