Sob gestão de Occhi, Caixa insiste em culpar empregados pela redução do lucro

Busca pela “eficiência” destacada por Gilberto Occhi mascara diminuição de empregados, corte de direitos, privatizações e fim do papel social do banco. Mobilização dos trabalhadores é cada dia mais essencial

Melhorar a eficiência. Com esse discurso, o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, vem tentando associar a redução dos lucros do banco ao crescimento dos gastos com pessoal e despesas administrativas, cuja alta ano passado seria de, respectivamente, 6,3% e 5,6%. O que Occhi não diz claramente é que essa “eficiência” representa na prática cortes de direitos e de empregados, privatizações e uma Caixa totalmente desvinculada de seu papel promotor do desenvolvimento social do Brasil.

“Essa é mais uma afronta dessa gestão aos empregados e empregadas da Caixa, que, mesmo submetidos a péssimas condições de trabalho, se dedicam para manter a Caixa como banco forte e lucrativo.  O que está por trás da gestão do Occhi é a intenção clara de promover o desmonte da Caixa, enfraquecer sua atuação como banco público e entregá-la ao setor privado. Não podemos aceitar esse discurso e temos que resistir, seja por meio de paralisações, manifestações ou até mesmo greve. Os empregados da Caixa têm uma história de luta em defesa do banco  público e dos direitos dos trabalhadores, e hoje, mais do que nunca,  precisamos manter viva nossa mobilização contra todas essas ofensivas dessa gestão e do governo Temer”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

“A cada dia fica mais evidente a diferença entre dois modelos de Caixa. Um, iniciado em 2002, tem como foco o investimento na habitação e na infraestrutura do país, entre outros programas sociais. Outro, que limita o crédito, enxuga o quadro de pessoal e unidades do banco e diminui o tamanho da empresa, inclusive com privatizações”, compara Maria Rita Serrano, representante eleita dos empregados no Conselho de Administração, que participou, na última quarta-feira (19) de reunião do CA, em Brasília (DF). Atualmente suplente, Rita deve assumir a titularidade do cargo no mês de maio.

O maior patrimônio da Caixa hoje é o compromisso dos empregados com o atendimento da população, que faz com que o banco figure entre as marcas mais lembradas pelos brasileiros (Top of Mind – Instituto Datafolha, 2016). “Com a tal ‘eficiência’ traduzida em ações, o impacto já é sentido em duas frentes. A primeira, na redução dos investimentos sociais. Em habitação, por exemplo, a tendência de crescimento elevado verificada em exercícios anteriores se alterou em 2015 e mais acentuadamente no ano passado. O crescimento esperado, entre 7% e 10%, resume-se a 5,6%. É a Caixa mais distante dos brasileiros”, diz o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

A outra frente impactada por esse modelo está diretamente vinculada aos direitos dos trabalhadores. Mudanças negativas já foram anunciadas para o Saúde Caixa, um PDVE foi aberto e de 100 a 150 unidades do banco poderão ser fechadas. “A nova gestão também endureceu no relacionamento com os empregados e suas entidades representativas, impondo desconto de dias em que ocorreram paralisações para defender o banco público. O que se vê é uma volta aos anos 1990, ao modelo neoliberal, tanto no interesse pela privatização quanto nos processos negociais com as entidades que representam a categoria”, afirma Rita Serrano.

Nos últimos anos, a Caixa teve forte expansão no número de agências e postos de atendimento, passando de 2,3 mil unidades em 2010 para 4,2 mil. Mas este é um crescimento plenamente justificável quando se observa a importância do banco na vida de milhões de brasileiros, desde pequenas cidades desprovidas de atendimento bancário até as grandes concentrações que recebem diariamente clientes e usuários de programas sociais – tais como, nesse momento, a retirada de contas inativas do FGTS, que movimenta não só um vultoso volume de dinheiro como milhares de empregados do banco.

Fonte: Fenae

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