Temer atende a partidos e mexe na cúpula da Caixa

Dança das cadeiras nas 12 vice-presidências da Caixa deixa escancarado o aparelhamento político das estatais no governo golpista de Temer (PMDB)

Para atender aos interesses daqueles que o colocaram no poder, o presidente golpista Michel Temer (PMDB) irá trocar os responsáveis pelas 12 vice-presidências da Caixa. Os nomes dos indicados devem ser publicados nesta quinta-feira, 08, no Diário Oficial da União. A medida é mais um passo dado pelo golpista Temer para executar seu projeto de desmantelamento da Caixa como banco 100% público.

Com essas mudanças, Temer deixa evidente que deixou para trás todo discurso que fez quando interino de que impediria o aparelhamento político nas estatais e nos fundos de pensão. De acordo com jornal Estadão, as indicações atendem a pedidos dos partidos PMDB, PSDB, DEM, PR, PRB, PP e PSB.

“O que gostaríamos é que Caixa fosse gerida por pessoas qualificadas para os cargos, técnicos comprometidos em promover o desenvolvimento desse banco que é patrimônio dos brasileiros. Mas o que estamos presenciando é a manutenção do fatiamento da Caixa de acordo com interesses políticos partidários. Sabemos que o objetivo desse governo e de seus aliados é de vender a Caixa, e todas essas mudanças são em preparação para isso”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

As mudanças são mais um golpe contra os bancários e bancárias da Caixa, que já vem sofrendo com a reestruturação, corte de funções e escassez de empregados. “Essa dança das cadeiras nas vice-presidências somente aprofunda a crise dentro do banco e a preocupação dos empregados com relação ao destino da Caixa e à garantia do emprego. Mais do que nunca, o momento exige de todos bancários uma forte mobilização em defesa da Caixa 100% pública e dos trabalhadores”, ressalta Lizandre.

Indicações

Matéria publicada pelo jornal Estadão indica que dentre os escolhidos está o braço-direito de Temer, Roberto Derziê, que assumirá a vice-presidência de Governo, ocupando o lugar de Paulo José Galli. Derziê foi secretário-executivo de Temer e antes ocupouo o cargo de vice-presidente de Operações Corporativas da Caixa.

A vice-presidência de Finanças e Controladoria será ocupada por Arno Meyer, da equipe da Secretaria da Fazenda do governo Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo. Ainda de acordo com o Estadão, a escolha do nome para a pasta da vice-presidência de Riscos provocou conflitos entre o núcleo político de Temer e a equipe econômica do governo.

O nome de Paulo Henrique Ângelo Souza foi defendido pelo ex-ministro de Governo, Geddel Vieira Lima. O nome foi vetado pelo Ministério da Fazenda, que reivindicou uma pessoa com perfil mais técnico. O Ministério da Fazenda queria blindar a área do banco responsável pelo rigor no cumprimento dos acordos internacionais de exigência de capital, supervisionados no Brasil pelo Banco Central. Como o DEM não havia feito nenhuma indicação ao governo de Temer, foi o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) quem bancou a indicação.

Para a vice-presidência de Tecnologia da Informação foi indicado o nome de José Antônio Eirado, que faz parte do governo de Rodrigo Rollemberg (PSB ) no Distrito Federal. Eirado já foi chefe do Departamento de TI do Banco Central e diretor da Infraero e ocupará o lugar de Joaquim Lima de Oliveira.

Com o apoio da Senadora capixaba Rose de Freitas (PMDB), entra Marcelo Prata na vice-presidência de Operações Corporativas, ocupando o lugar de Lucas José Palomero. Com as bênçãos dos partidos da base governo de Temer, Marcos Fernando Fontoura dos Santos Jacinto será mantido na pasta VP de Gestão de Pessoas, e Fábio Lenza, em Negócios Emergentes. O padrinho dos dois é a família Sarney (PMDB), com a qual eles mantém uma longa relação. Jacinto foi secretário do governo Roseana Sarney (PMDB), e é apontado por políticos do Maranhão como indicado do senador João Alberto (PMDB-MA).

O vice-presidente Corporativo continua sendo Antonio Carlos Ferreira, com o apoio do PRB, da bancada evangélica. Deusdina dos Reis Pereira será efetivada na VP de Fundos de Governo e Loterias, com a indicação do PR. Responsável pela administração do FI-FGTS, a VP de Gestão de Ativos ficará com Flávio Eduardo Arakaki, nome técnico e com as qualificações exigidas para o cargo.

Ligados ao PP, também responsável pela indicação de Occhi para a presidência do banco, Nelson Antonio de Souza continuará com Habitação e José Henrique Marques da Cruz com Varejo e Atendimento.

Com informações do jornal Estadão

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