Todo apoio a greve dos caminhoneiros e petroleiros

O Sindicato dos Bancários/ES se solidariza aos caminhoneiros e aos petroleiros. Entendemos que a redução do preço dos combustíveis é uma pauta que interessa a todos e tem impacto direitos nos custos de vida da população.

Não à repressão aos movimentos sociais e à intervenção militar

A greve dos caminhoneiros chegou ao oitavo dia nesta segunda-feira, 28. Após ter menosprezado a força da paralisação, no último domingo o presidente Michel Temer cedeu a novas reivindicações do grupo e anunciou desconto por litro de diesel (46 centavos) e o congelamento do valor por 60 dias, além de outras medidas na tentativa de encerrar o movimento grevista.

A proposta, porém, foi considerada insatisfatória e os trabalhadores seguem mobilizados, com bloqueios que persistem em 14 estados, além do Distrito Federal.

Petroleiros também anunciaram greve nacional de 72 horas a partir desta quarta-feira, 30, ampliando a pauta de reinvindicações a fim de baixar os preços do gás de cozinha e dos combustíveis, contra a privatização da empresa e pela saída imediata do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que, com o aval do governo Michel Temer, mergulhou o país numa crise sem precedentes.

Apesar das diversas organizações que tentam falar em nome do movimento e que filtram suas demandas, a direção do Sindicato dos Bancários/ES se solidariza aos caminhoneiros e aos petroleiros. Entendemos que a redução do preço dos combustíveis é uma pauta que interessa a todos e tem impacto direto nos custos de vida da população.

A grande mídia atribui a crise de abastecimento à paralisação dos caminhoneiros, mas desresponsabiliza o governo e a sua política econômica que penaliza a população com os altos preços dos combustíveis, do gás e dos alimentos, em benefício do capital privado nacional e internacional.

A solução de Temer para o movimento grevista foi novamente a repressão, acionando as forças militares para coibir os caminhoneiros. Pela primeira vez a Lei da Garantia da Ordem foi aplicada nacionalmente, deixando evidente a escalada autoritária e repressiva que vivemos. Não podemos aceitar que saídas militares sejam praticadas contra trabalhadores que, em sua maioria, buscam melhores condições de trabalho e de vida.

Vale destacar que a disparada dos preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel não é resultado da política tributária apenas – que sim, deve ser revista, invertendo inclusive a matriz tributária, com taxação sobre renda e não sobre o consumo de produtos. Mas medidas isoladas de redução de impostos ou de isenção fiscal como estão colocadas atenderiam unicamente ao empresariado e poderiam reduzir a arrecadação e afetar políticas públicas essenciais, como a Seguridade Social, financiada também pelo recolhimento do PIS/Cofins. Está na centralidade da crise dos combustíveis o modelo de gestão da Petrobras, que vem sendo administrada para atender exclusivamente aos interesses do mercado.

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), em 2013, a Petrobrás tinha capacidade de atender 90% da demanda interna de combustíveis. Em 2017, esse percentual caiu para 76%. Algumas refinarias já operam com menos da metade da capacidade de produção, como é o caso da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, uma das quatro unidades que Parente colocou à venda. Ou seja, o governo reduz deliberadamente sua capacidade produtiva para importar derivados de petróleo a preços muitos maiores do que conseguiria produzir.

Derivados importados já representam 24% do mercado nacional. Significa que a cada 10 litros de gasolina vendidos no Brasil, 2,5 litros são importados. “Enquanto isso, a Petrobras está sendo reduzida a uma mera exportadora de petróleo, quando poderia abastecer integralmente o País com diesel, gasolina e gás de cozinha a preços bem abaixo do mercado internacional”, diz a FUP.

A crise dos combustíveis também não está afastada da tentativa de desmonte da Petrobras, elevando ainda mais o risco privatização da empresa. Nesse momento, os trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas categorias devem estar unidos contra as medidas neoliberais do governo Temer, pela revisão da política de preços imposta à Petrobras, contra a militarização e a repressão ao povo e em defesa do patrimônio público brasileiro.

Imprima
Imprimir