Trabalhadoras e trabalhadores vão às ruas na 18ª Marcha pela Vida e Cidadania

Com o tema “Trabalhadora e Trabalhador em Defesa do Direito à Vida com Dignidade" , o ato foi realizado nas ruas dos bairros Santa Cecília e Vila Palestina, em Cariacica, e marcou a luta do Dia da Trabalhadora e do Trabalhador

Foto: Sérgio Cardoso

Nesse 1º de Maio, trabalhadores e trabalhadoras capixabas foram às ruas em mais um dia de luta contra a retirada de direitos, na 18ª Marcha pela Vida e Cidadania. O ato teve início na igreja Luterana, no bairro Santa Cecília e terminou na Comunidade Católica São Paulo da Cruz, em Vila Capixaba, Cariacica.

Com o tema “Trabalhadora e Trabalhador em Defesa do Direito à Vida com Dignidade” a Marcha foi espaço de denúncia e diálogo com a população sobre os graves ataques aos direitos dos trabalhadores, presentes principalmente nas propostas de reformas Trabalhista e da Previdência. O ato também foi espaço de denúncia de um ano do crime ambiental cometido pela Samarco que vitimou o Rio Doce e colocou em risco a sobrevivência de milhares de famílias, que viviam da pesca, agricultura e turismo.

“Neste ano, o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora tem uma importância ainda maior diante da nefasta conjuntura política e econômica do país. O 1º de Maio é uma conquista dos trabalhadores, marcada por muita luta, suor e sangue da nossa classe. Esta data simboliza, portanto, um dia de luta, em que devemos alertar a toda classe trabalhadora sobre as ameaças aos nossos direitos que estão em curso no Congresso Nacional”, destaca o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

Desde a primeira edição da Marcha, a freira missionária Agostiniana Recoleta, Rita Cola, participa dos atos. Para ela, a Marcha é importante para denunciar as injustiças sociais e a situação de exploração pela qual passam os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

“Este ano é um dos piores que estamos enfrentando, pois estamos vendo o Brasil ruindo com a destruição dos direitos dos trabalhadores. Por isso, mais do que nunca, é necessária nossa união para defender todos os trabalhadores, principalmente aqueles que estão em péssimas condições de trabalho. Não podemos ficar imóveis diante dessa situação, e essa Marcha é um ato de fé e de denúncia”, enfatizou.

Aprovada na Câmara dos Deputados na última semana, a proposta de reforma das leis trabalhistas tem como uma das principais consequências o fim da proteção às mulheres trabalhadoras. A mobilização das mulheres contra essa proposta e a da Previdência é urgente, como destaca a diretora do Sindinbancários/ES, Rita Lima.

Diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima (Foto: Sérgio Cardoso)

“As mulheres estão nas ruas neste 1º de Maio principalmente para lutar contra a retirada de direitos, prevista nas reformas Trabalhista e da Previdência, e que atacam frontalmente, nós, mulheres. A reforma Trabalhista, por exemplo, coloca em risco a vida das mulheres ao permitir que grávidas trabalhem em local insalubre. As trabalhadoras brasileiras não têm nada a comemorar e hoje, mais do que nunca, é um dia de luta e de protesto”, enfatizou.

Jovens da Paróquia São Francisco participaram da Marcha e denunciaram as graves consequências da reforma do Ensino Médio

Jovens e estudantes também participaram da Marcha e denunciaram como a reforma do Ensino Médio coloca em risco a qualidade da educação no Brasil. “As reformas estão sendo impostas de uma forma muita autoritária e nos deixam sem escolha. A reforma do Ensino do Médio ocorreu sem nenhum diálogo com os estudantes. Estou hoje nas ruas porque estou preocupado com o futuro, já que todas essas reformas representam uma ameaça aos trabalhadores, e são, na verdade, uma forma de voltar à escravização do povo. Não quero isso para meu futuro”, destacou o jovem Israel Rodrigo de Oliveira de Sá, 15 anos.

Como surgiu o 1º de maio

O Dia do Trabalhador foi instituído pela Segunda Internacional Socialista, que aconteceu na França em 1889. O objetivo era estabelecer um dia unificado de luta em prol da jornada de 8 horas de trabalho. A escolha da data remonta a 1886, quando, no dia 1º de maio, milhares de trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, saíram às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho e a redução da jornada de treze para oito horas diárias. Nesse dia, uma grande greve geral parou as atividades do país norte-americano. A manifestação foi seguida de outros protestos, que foram violentamente reprimidos pelas forças policiais. O 1º de maio se tornou um marco para a luta dos trabalhadores de todo o mundo, que anualmente se reúnem nessa data para defender os direitos trabalhistas conquistados, reivindicar melhores condições de trabalho e lutar pelo fim da desigualdade social.

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