Trabalhadores capixabas realizam ato unificado em defesa das estatais

A ação fez parte do Dia Nacional de Luta em Defesa das Empresas Públicas e pela Soberania Nacional, que mobilizou diversas categorias nacionalmente. Em Vitória teve panfletagem nos bancos e na Praça Costa Pereira, no Centro.

Bancárias e bancários em frente à agência da Caixa, maior banco público do país, hoje ameaçado de privatização. Fotos: Sérgio Cardoso.

Bancários, eletricitários, petroleiros, portuários, trabalhadores dos Correios e da Cesan se encontraram nesta quinta-feira, 05, em um ato unificado para denunciar as ameaças de privatização das estatais brasileiras. Eles se reuniram a partir do meio-dia na praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, numa ação marcada pelo diálogo com a população.

“Foi um dia de conversa com a sociedade sobre a importância das estatais, tanto para a soberania como para o desenvolvimento socioeconômico do país”, explicou Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES.

A ação fez parte do Dia Nacional de Luta em Defesa das Empresas Públicas e pela Soberania Nacional, que mobilizou diversas categorias nacionalmente.

Os bancários e as bancárias capixabas começaram a mobilização ainda cedo, com panfletagem no Banestes, Caixa e Banco do Brasil, no Centro de Vitória. Durante toda a manhã, à medida que distribuíam os panfletos falando sobre a importância de defender os bancos públicos, os bancários conversavam com os trabalhadores e clientes, alertando sobre as ameaças de privatização que voltaram à tona com o governo ilegítimo de Michel Temer.

Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, ressaltou que os bancos públicos têm uma função social a cumprir junto à população brasileira. “Aqui no ES o Banestes tem a maior rede bancária, sendo o único banco presente em todos os municípios capixabas. É um patrimônio do povo, que assim como a Caixa e o Banco do Brasil democratizam o crédito à população e fomentam políticas públicas”.

O ato pôs em relevo a necessidade da ação conjunta dos trabalhadores para resistir ao avanço da política neoliberal e de desmonte do patrimônio público que vem sendo implementada por Temer e seus aliados no Congresso.

Rafael Cordeiro, diretor do Sindipetro/ES, exemplificou como essa política tem afetado a Petrobras, empresa que é uma das líderes em produção de energia, e também a população.

“Há muito tempo questionamos a atual política de preços dos combustíveis, que favorece a importação dos derivados em detrimento da produção nacional. Hoje nossas refinarias estão operando com cerca de 60% de sua capacidade de produção. Ou seja, nós temos o petróleo, temos o refino, temos a logística, mas mesmo assim, devido a uma política de governo, somos proibidos de aumentar nossa produção apara suprir o mercado interno, o que faz com que a demanda interna seja suprida pelos combustíveis internacionais, que compramos a preços mais caros do que conseguiríamos produzir”, explica Cordeiro.

Os trabalhadores dos Correios, que vêm enfrentando o duro processo de demissão e fechamento de unidades, também participaram do ato para defender a empresa como patrimônio do povo brasileiro. “Para nós é fundamental participar desse ato unificado. As estatais foram construídas para atender a população brasileira, como os Correios, que prestam um serviço essencial à população garantindo entregas em todo o território nacional.  A política de privatização busca atender as demandas do mercado e vai desfavorecer a população com aumento das tarifas, além de romper com o papel social que as estatais têm no Brasil”, disse Fischer Marcelo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios/ES.

O diretor do Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport/ES) Rafael Pinheiro Ferreira, também criticou as medidas privatistas do governo e falou das consequências de uma possível privatização dos portos capixabas.

“O governo vem tentando entregar o sistema portuário brasileiro nas mãos do capital internacional, visto que esse sistema é uma fonte rica de recursos para a União e gera muita arrecadação para os cofres públicos. A Codesa é no momento o porto mais visado para privatizar, que querem fazer como modelo de privatização. O sistema portuário do país tem muito a ver com a soberania. Noventa e dois por cento do comércio exterior é feito por via marítima, por isso, privatizar os portos é colocar as portas econômicas do país nas mãos de um pequeno grupo de empresários. Por isso lutamos contra a privatização, que interessa a um pequeno grupo e não ao povo”, destacou Rafael.

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