Trabalhadores do Santander protestam contra práticas antissindicais do banco

A agência do Santander da Praia do Canto e a superintendência foram fechadas na manhã desta quinta-feira. A ação faz parte do Dia Internacional de Luta contra as práticas antissindicais do banco, que, após o Dia Nacional de Luta realizado em 11 de abril, ajuizou várias ações contra sindicatos e a Confederação Nacional dos Trabalhadores […]

A agência do Santander da Praia do Canto e a superintendência foram fechadas na manhã desta quinta-feira. A ação faz parte do Dia Internacional de Luta contra as práticas antissindicais do banco, que, após o Dia Nacional de Luta realizado em 11 de abril, ajuizou várias ações contra sindicatos e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Na ocasião o Santander mencionou a carta aberta divulgada pela Contraf em abril e alegou que seu conteúdo era inverídico e difamatório, sendo que, na verdade, relatava ações que fazem parte do cotidiano dos trabalhadores, como demissões sem justa causa. 

“O Santander quer calar o movimento sindical, quer nos intimidar com esse tipo de atitude. Porém, isso não vai fazer com que os trabalhadores parem de lutar por condições de trabalho mais dignas. Vamos prosseguir na nossa mobilização e contamos com a participação dos funcionários do Santander para unir forças e sairmos vitoriosos”, defende o coordenador geral do Sindibancários, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

Durante a ação sindical os trabalhadores usaram uma gravata vermelha feita de cartolina, fazendo referência à gravata utilizada pelo presidente internacional do Santander. “O vermelho da gravata do presidente significa o sangue do trabalhador sugado por meio da exploração. Para nós, essa cor significa a luta contra o assédio moral e as demissões no Santander”, explica o diretor do Sindicato dos Bancários/ ES, Jonathas Correa.

A realidade dos trabalhadores do Santander é cada vez mais precária. Um dos destaques é a prática de demissões maciças que o banco vem implementando em todo o Brasil. Nos quatro primeiros meses de 2013, segundo levantamento feito pela Contraf junto aos sindicatos, o Santander demitiu 878 bancários, superando o total de 765 trabalhadores dispensados nesse mesmo período em 2012.

Não há justificativa para tantas demissões, já que, no ano passado, o Santander fechou 2012 com um lucro de R$ 6,329 bilhões, integrando o ranking dos bancos mais lucrativos do país. Este ano o banco lucrou até o momento cerca de R$ 1,5 bilhão. A previsão é de que até o final de 2013 o lucro chegue a uma média de R$ 8 bilhões, superando os valores do ano anterior.

A redução no número de empregados tem trazido muitos problemas para os funcionários. “O resultado está se refletindo na qualidade de vida dos bancários. Eles estão cada vez mais sobrecarregados. Por isso, têm que conviver com o estresse e outros tipos de doenças”, relata Jonathas Correa.

Contudo, não é somente no ranking dos bancos mais lucrativos que o Santander tem se destacado. Ele também está no topo da lista das instituições financeiras que mais recebem reclamações de clientes no Banco Central. “Com as demissões sem justa causa o número de profissionais vem reduzindo cada vez mais. Portanto, não há gente suficiente para atender à grande demanda. Isso resulta em demora no atendimento e, consequentemente, na insatisfação do cliente”, explica Jonathas.

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