Trabalhadores mostram unidade contra a reforma da Previdência

Manifestação foi convocada pelas centrais sindicais e fez parte de calendário nacional de mobilização.

Fotos Sérgio Cardoso

Ocupar as ruas em defesa da aposentadoria e da Previdência pública! Essa foi a palavra de ordem desta sexta-feira, 22, em dia de luta que mobilizou trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias, do campo e da cidade, para protestar contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro.

Em marcha, eles saíram da Praça de Jucutuquara, em Vitória, com destino ao Palácio Anchieta, sede do governo estadual. A escolha do local de encerramento não foi aleatória. Os manifestantes mostraram sua insatisfação com o posicionamento do governador Renato Casagrande que, indo contra os interesses do povo, se manifestou favorável a reforma de Bolsonaro. O voto dos deputados federais capixabas também foi alvo de protesto. Cartazes traziam fotos dos deputados favoráveis a reforma e alertavam a população: “o voto dele pode acabar com a sua aposentadoria”.

 

Para Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES e representante da Intersindical, o ato desta sexta-feira foi uma demonstração de unidade e disposição de luta da classe trabalhadora. “Estamos organizados para dizer que a classe trabalhadora brasileira não vai aceitar essa reforma da Previdência. O capitalismo imperialista quer resolver os seus problemas subordinando as economias latinas, e, no Brasil, os principais representantes do capital são os banqueiros, aqueles que mais ganharam com a reforma trabalhista e que agora tentam emplacar a reforma da Previdência” criticou.

Além do desmonte da área de Seguridade Social, ela também condenou a política de privatizações, que integra o plano de retirada de direitos implementado por Bolsonaro e sua equipe econômica.

“Não vamos tolerar que esse governo entregue o patrimônio brasileiro, como a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, portos, aeroportos e demais estatais para a iniciativa privada. Vamos continuar nas ruas, que é o nosso lugar. Bolsonaro não terá paz, assim como qualquer representante do capital. Porque não existe paz quando há exploração e ataque aos direitos”, disse, eloquente.

Capitalização só beneficia bancos

O coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, questionou o argumento de combate aos privilégios usado pelo governo. “É uma mentira. A reforma busca exatamente o oposto, manter privilégios, e umas das formas para isso é a capitalização”, alertou.

“A capitalização, tal como foi feita no Chile, deu certo para Paulo Guedes, porque ele representa os bancos, e os bancos foram os que mais lucraram com a capitalização. Mas deu errado para nós, trabalhadores que vivemos do nosso trabalho. E precisamos falar sobre isso com as pessoas e desconstruir essa mentira do governo. Precisamos de muita coragem e disposição para lutar e manter nosso direito à assistência social e à aposentadoria”, concluiu o diretor.

Luta não pode parar

Durante o ato, representantes das centrais e sindicatos reforçaram a necessidade de permanecer em luta para barrar o projeto da reforma e não descartam a construção de uma greve geral. O ato dessa sexta fez parte de um calendário nacional de mobilização, que busca dar fôlego a um grande movimento paredista nacional.

 

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