Vigilantes fazem manifestação em frente à Prefeitura de Vitória

Depois de cerca de 15 dias de atraso salarial os vigilantes que trabalham no Grupo CJF de Vigilância realizaram na manhã desta quinta-feira, 9, um protesto em frente à Prefeitura de Vitória (PMV). Eles reivindicaram uma reunião com a secretária de Administração, Raquel Drumond. O objetivo da reunião foi exigir um posicionamento da PMV em […]

Depois de cerca de 15 dias de atraso salarial os vigilantes que trabalham no Grupo CJF de Vigilância realizaram na manhã desta quinta-feira, 9, um protesto em frente à Prefeitura de Vitória (PMV). Eles reivindicaram uma reunião com a secretária de Administração, Raquel Drumond. O objetivo da reunião foi exigir um posicionamento da PMV em relação ao atraso, já que os trabalhadores e trabalhadoras do Grupo CJF de Vigilância prestam serviços terceirizados em colégios, creches, postos de saúde e outros espaços públicos municipais.

De acordo com o vigilante Renan Barreto Martins, o salário dos trabalhadores e trabalhadoras que prestam serviço para a prefeitura por meio do Grupo CJF de Vigilância vem sofrendo constantes atrasos desde o início de 2014. “Os vigilantes têm buscado informações com a empresa sobre o que está acontecendo, mas não são recebidos. Por isso, resolvemos fazer essa manifestação e a secretária de Administração garantiu que a prefeitura vai assumir a folha de pagamento”, diz Renan.

Ainda segundo o vigilante, os trabalhadores e trabalhadoras se sentem inseguros quanto ao futuro profissional dentro da empresa. “Soubemos que o Grupo CJF faliu em Minas e em São Paulo. Estamos temerosos de que o mesmo aconteça aqui e a gente fique sem receber os nossos direitos”.

O Sindicato dos Bancários/ES apoiou a manifestação dos vigilantes. “Apoiamos o protesto porque se trata de uma categoria que está entre as que recebem os mais baixos salários e precisa de apoio, já que, neste momento, o sindicato que a representa está sob intervenção judicial. Além disso, trata-se da união, do fortalecimento da classe trabalhadora”, afirma o diretor do Sindibancários, Idelmar Casagrande.

De acordo com ele, os vigilantes do Santander passaram pela mesma situação há cerca de três meses. “Eles também trabalhavam no Grupo CJF Vigilância. O Sindibancários entrou em contato com o banco, que pagou o salário atrasado e trocou de empresa de vigilância”, recorda Idelmar.

Desde junho de 2013 o Sindicato dos Vigilantes (Sindiseg/GV) está sob intervenção judicial. A decisão foi tomada pela juíza Marize Cavalcanti Chamberlain, da 14ª Vara do Trabalho. Ela determinou o afastamento de todos diretores por falta de transparência no processo eleitoral e supostos desvios dos recursos financeiros da entidade. Segundo o vigilante Mário Santa Clara, a falta de uma diretoria ativa no sindicato tem feito com que as empresas de segurança explorem cada vez mais os trabalhadores e trabalhadoras.

“Tem empresas que estão se recusando a cumprir o Acordo Coletivo da categoria”. Ele destaca que essa situação prejudica não somente os vigilantes. “Muitos estão com problemas em casa, sem condições de dar uma vida digna para as famílias. São profissionais que, mesmo com o psicológico abalado em virtude dessa situação, têm que pegar em arma no cotidiano de sua profissão. Isso prejudica o serviço prestado”, afirma Mário.

Terceirização

A situação dos trabalhadores e trabalhadoras do Grupo CJF de Vigilância reflete a realidade da maioria dos funcionários terceirizados no Brasil, que é de total precarização. E essa realidade pode piorar se forem aprovados o PL 4330 e o PLS 87/10, que têm como objetivo legalizar a terceirização nas atividades fim. Além disso, há uma ação movida pela empresa Celulose Nipo Brasileira (Cenibra) no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação questiona o que é atividade fim e atividade meio. O ministro Luiz Fux, relator da matéria, já decretou que a decisão que for tomada valerá para todas as instâncias inferiores.

Dados do Dieese apontam que trabalhadores e trabalhadoras terceirizados ganham 30% a menos do que os diretos. Segundo o auditor fiscal Vitor Filgueiras, de 2010 a 2013 90% dos trabalhadores e trabalhadoras resgatados em situação análogas à escravidão eram terceirizados.

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