Vitória dos estudantes: Alckmin revoga fechamento de escolas em São Paulo

No último sábado, 05 de novembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) oficializou a revogação da reorganização escolar, medida por meio da qual fecharia 94 escolas estaduais. A revogação ocorreu após cerca de quatro semanas de protestos organizados por estudantes, que ocuparam mais de 200 estabelecimentos de ensino e também fizeram várias manifestações de rua. A […]

No último sábado, 05 de novembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) oficializou a revogação da reorganização escolar, medida por meio da qual fecharia 94 escolas estaduais. A revogação ocorreu após cerca de quatro semanas de protestos organizados por estudantes, que ocuparam mais de 200 estabelecimentos de ensino e também fizeram várias manifestações de rua. A reorganização escolar traria, entre outras consequências, superlotação nas salas de aula, redução do número de profissionais em geral, perda de turnos e extinção de modalidades de ensino.

De acordo com o professor e integrante da Executiva Nacional da Intersindical, Matheus Lima, a revogação é uma grande vitória. “O grupo de Alckmin está no governo há cerca de 20 anos, protegido pela mídia corporativa. É raro um movimento conseguir mudar a posição do governo. É uma grande vitória, mesmo que não seja uma revogação completa, para sempre”, afirma Matheus.

Segundo o professor, o governador afirmou que irá retomar as discussões sobre a reorganização escolar, mas não disse quando e falou que dialogará com a comunidade escolar. “Ele pode tentar novamente ou a revogação pode ser permanente e ele ter dito que irá retomar para não ficar tão vergonhoso para ele. De qualquer forma, temos que nos manter mobilizados”, destaca.

Rumos do Movimento

Segundo Matheus Lima, não dá para prever os rumos do movimento responsável pela ocupação nas escolas. “Ele surgiu de forma espontânea e cada escola teve uma dinâmica própria. Não dá para saber se futuramente essa articulação será de forma unificada, mas a ausência de uma centralidade não foi negativa”, avalia.

Ele salienta que a revogação da reorganização escolar não foi a única vitória dos estudantes. “A experiência que eles viveram foi ímpar. O colégio nunca passou pela situação de estar sobre controle estudantil. Nesse período, a escola se tornou uma escola alternativa, ocupada culturalmente, com atividades artísticas e esportivas realizadas pelos próprios alunos. Isso aponta para a necessidade de mudar o atual modelo de gestão escolar, que é engessado, e abrir espaço para a participação popular, para uma nova possibilidade de escola”, destaca.

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